Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 26/04/2021
“Apagaram tudo, pintaram tudo de cinza”, diz a música “Gentileza”, de Marisa Monte, que narra o apagamento de pinturas de um artista em viadutos do Rio de Janeiro. Sobre o assunto, pode-se afirmar que os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil são a discriminação que ela sofre, além da falta de políticas públicas de apoio ao setor.
Em primeira análise, nota-se que, seja pela confusão entre grafite e pichação, ou até por preconceito, não há a consciência de que, tal qual se faziam as pinturas rupestres, grafites, por exemplo, também retratam a realidade em que se vive. Outrossim, é possível ver artistas urbanos famosos a nível nacional, como Eduardo Kobra e Os Gêmeos, que são admirados de longe, contudo, o tratamento dispensado pela sociedade aos artistas locais não costuma passar do desprezo. Chega-se, assim, ao ponto de essa forma de expressão não ser considerada arte por variados grupos sociais, como uma forma pôr a discriminação em prática.
Além disso, lembra-se que os artistas urbanos não podem ir muito além dessa realidade na atual conjuntura, já que o Estado, em suas diversas esferas, ignora o clamor por políticas de auxílio e reconhecimento. Em verdade, o que ocorre é quase uma política de caça a pessoas do ramo, negando-lhes, assim, a plena asseguração do direito à liberdade de expressão, como garante a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Portanto, propõe-se que, visando a quebrar o paradigma da discriminação da arte urbana, ela seja incluída, pelo Ministério da Educação, no currículo escolar, de forma que o assunto chegue às escolas. Estas também devem promover visitas a obras desse universo, a fim de que haja uma completude do ensino. Ademais, o Governo Federal deve tombar espaços dessa forma de arte, com o Instituto Nacional de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, bem como criar programas de auxílio aos artistas, ambas medidas destinadas a valorizar essa forma de expressão. Dessa maneira, os efeitos poderão ser sentidos pela sociedade a médio e longo prazos, provocando também uma mudança interna nela.