Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 26/04/2021

A música “Chá Preto”, da banda Grafiteiros, expressa o preconceito que a arte de rua sofre e como ela persiste para compartilhar diversos pontos de vista com o resto da população. Essa canção é verossímil ao cotidiano dessa estética artística, que muitas vezes tem sua importância reduzida a uma forma de vandalismo. Sob esse viés, torna-se válido entender a estigmatização que envolve a grafitagem, bem como seu impacto na distribuição da arte na sociedade brasileira.

Observa-se, de início, que desde a pré-história, o ser humano já possuía o habito de pintar paredes como forma de registro. Todavia, de acordo o antigo prefeito de São Paulo, João Dória, numa entrevista para o G1, “a arte de rua é poluição visual e todo pichador é bandido”. Tais declarações preconceituosas são diárias, mas seguem sendo ‘justificadas’ no Brasil, tanto pela Lei 9.605/98, que classifica pichação como vandalismo quanto por termos como"picho", que são usados para segregar e marginalizar uma categoria de artistas urbanos. Essas colocações, principalmente quando vindas de pessoas com autoridade, influenciam a opinião pública, depredando ainda mais a imagem dos grafiteiros e suas obras.

Cabe analisar, ainda, que o conceito artístico de grande parte da população ainda é muito elitizado. Segundo o artista Felipe Yung, um dos principais objetivos da arte urbana, além de passar uma mensagem é exibir as obras para o maior número de pessoas, democratizando o acesso às manifestações artísticas. Porém, mesmo com os diversos projetos com produções diversas e significados relevantes para as questões presentes na atualidade, expostos pela maioria dos centros urbanos brasileiros, grande parte da população, ainda não reconhece essas obras artísticas como equivalentes àquelas mostradas em museus e galerias fechadas. Isso interfere na distribuição e valorização da arte urbana entre um público maior e mais variado.

Portanto, para facilitar a apreciação da estética artística urbana no Brasil, mudanças são necessárias. Cabe ao Ministério da Educação, junto a Fundação Nacional das Artes, facilitar a compreensão do público a esse tipo de manifestação artística. Isso ocorreria por meio da criação de um aplicativo gratuito chamado “E-museu”, que funcionaria como uma galeria de arte on-line, expondo as obras de forma interativa, com informações como os autores, inspiração e significado, dessa forma a população aproveitaria mais o estilo. Assim, diferente da realidade da música “Chá Preto” o grafite será valorizado.