Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 03/05/2021

´´Se Essa Rua Fosse Minha ´´ faz parte do conjunto de cantigas populares, responsável por povoar o imaginário dos brasileiros ao associar o mágico com a realidade. Evoca atenção o recorte lírico dessa música, o qual se compromete na modernização da cidade para conquistar o personagem almejado. Logo, respeitante ao subjetivismo folclórico, a arte urbana brasileira recria ruas, que, de fato, ambicionam a visão pública, todavia, esse uso artístico é subtraído por duas problemáticas: a presença de generalizações preconceituosas e a falta de investimentos na área.

A princípio, a arte urbana representa a manifestação simbólica de grupos que desejam a mudança política, cultural e comunitária. Tal acepção contempla a primeira pichação nas ruas brasileiras, o ´´Abaixo a Ditadura´´, a qual mobilizou protestos e foi filosofada como um ato de puro vandalismo. Analogamente, os episódios desse intervalo histórico ainda estão presentes no Brasil, que, agora, resume a arte urbana à promiscuidade e violência. Em vista disso, a problemática é acentuada não somente pelas tentativas de excluir os murais dessa cultura nas ruas, mas também no incentivo de rejeitar essa tipologia artística, afinal, expressos grupos já possuem dificuldades na adesão de novos espaços para criação. Desse modo, as generalizações obstruem as manifestações artísticas.

Outrossim, apesar do conhecimento público sobre a arte urbana, ainda persiste a falta de investimentos das instituições locais. Essa realidade orquestra com a filosofia de Zygmunt Bauman, no princípio das ´´Instituições Zumbis´´, as quais existem, mas são ineficientes nas funções. Nesse viés, expressas corporações brasileiras compactuam com a desvalorização da arte urbana ao não aderir a manifestação em seus espaços ou omitir investimentos. Sobre isso, a reflexão dessa problemática recai no desprestígio às comunidades locais, as quais são afastadas e esquecidas, e isso também oportuniza a falta constitucional de cada brasileiro, o acesso a cultura, tão honrado no artigo 5º do documento. Desse modo, a falta de investimento ambienta o desdém para com a diversidade artística.

Portanto, compete aos agentes sociais sanar o revés da desvalorização da arte urbana no Brasil. Para isso, o Ministério da Educação deve publicitar disciplinas sobre a cultura citadina, com o acesso a músicas populares sobre valores comunitários, mediante verbas estatais, pois ocorrerá a democratização dessa tipologia artística, com fins na redução das generalizações preconceituosas. Em eminência às prefeituras locais, propõe-se a projeção de bônus fiscais aos espaços que compactuam com as inovações, com a divulgação nas redes sociais dos locais adeptos à arte urbana, por meio das mídias, posto que revitalizarão as funções institucionais, a fim de harmonizar o ambiente. Somente assim, a rua será espaço para o subjetivismo dos brasileiros, permitindo, assim, a cultura local.