Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 28/04/2021
Friedrich Nietzsche, popular filósofo alemão, disse que “Temos a arte para não morrer da verdade”, frase que traduz o papel essencial da arte no que tange à conquista da felicidade, além de explicitar o fato dela servir como instrumento de resistência perante as dificuldades da vida. Dito isso, pode-se afirmar que a arte é fundamental para a manutenção da harmonia na sociedade. Infelizmente, o cenário descrito pelo pensador em seus dizeres destoa da realidade brasileira, ao se verificar a conjuntura de desvalorização, massificação e preconceito que a arte urbana enfrenta hodiernamente, problemas gravíssimos no viés sociocultural, dos quais urge uma mitigação adequada.
A princípio, é oportuno ressaltar a arte urbana como uma forma válida de expressão cultural, visto que de acordo com o inciso IX do art.5° da Constituição Federal, “É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”. Posto isto, pode-se concluir que, na sociedade atual, os dizeres supramencionados não são respeitados no que tange à valorização da arte urbana, pois muitas pessoas consideram-a vandalismo ou apenas não a consideram bela, conceito muito combatido atualmente, pelo fato dos padrões de beleza cumprirem um papel desagregador e injusto na sociedade, por atuarem sendo excludentes das minorias.
Ademais, pode-se citar também a padronização cultural e a mercantilização como empecilhos agravantes em relação à desvalorização da arte de rua, como é conhecida popularmente a arte urbana. Sendo assim, é válido afirmar a teoria defendida pelo filósofo frankfurtiano Walter Benjamin que consiste na perda da autenticidade da arte quando ela se transforma em mercadoria, processo verificado frequentemente na sociedade atual ao se analisar os atos de pessoas preconceituosas que, ao se recusar a conhecer a arte urbana e toda sua multiplicidade de dimensões e interpretações, ajudam nesse processo de massificação e perda da veracidade artística em sua totalidade.
Por fim, caminhos devem ser elucidados para que haja a valorização da arte urbana no Brasil, tomando em conta as questões legislativas e socioculturais supracitadas. Dito isso, cabe à Secretaria da Cultura, órgão subordinado ao Ministério da Cidadania, concomitantemente às principais mídias televisivas, a criação de propagandas dispostas de forma dinamizada, para que haja uma facilidade de compreensão no processo de transmissão, que visem informar a população sobre o que é a arte urbana, seus tipos, suas principais formas de expressão e divulgar artistas do meio, a fim de que possa haver a garantia da manutenção da autenticidade da arte, além da democratização do conhecimento e a valorização, por conseguinte, de tal forma cultural. Então, acometida essas medidas, a arte urbana pode, paulatinamente, parar de ser negligenciada e desvalorizada, e a sociedade ficará mais igualitária.