Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 29/04/2021
A arte é a mais bela forma de se expressar e manifestar a cultura de uma sociedade. No Brasil, é comum observar a presença dessa manifestação em ambiente urbano, principalmente nas grandes cidades. Grafite, esculturas, projeções de vídeo em prédios ou instalações e pinturas comercializadas pelas ruas de São Paulo, são apenas alguns dos exemplos de arte que estão presentes no cotidiano de muitos brasileiros. Ainda assim, existe uma desvalorização dessas expressões que está implícita no senso comum da população nacional, é possível observá-la ao sentir espanto quando um artista nos fala o preço de uma pintura ou desenho, sendo que gastaríamos o mesmo valor em produtos fúteis posteriormente. Combater os desafios que impedem a correta valorização da arte, do registro cultural de um povo, se faz então, um ato necessário.
Dentre os motivos que levam os brasileiros a considerarem os trabalhos artísticos de menor importância do que os demais, está a marginalização. Muitos ainda associam o grafite, atividade socialmente inclusiva e consensual entre o grafiteiro e o proprietário do espaço utilizado, às desrespeitosas ofensas que são retratadas pela pichação, um ato criminoso condenável por vandalismo. Essa associação equivocada tem grande responsabilidade pelo estigma gerado em torno da arte urbana no Brasil.
A liberdade artística é um espectro da liberdade de expressão que, como esta, gera discussões acerca de seus reais limites. A linha tênue que separa a arte e o ato ilícito é a base de algumas discussões atuais, uma vez que outro desafio que atua contra a valorização de grafiteiros, escultores, etc… é a falta de leis que colaborem com o livre exercício da arte. Não somente leis, como regras mais discretas, por exemplo a menor quantidade de questões sobre a matéria de Artes que é cobrada no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), deixando implícita a menor importância dessa disciplina sob as demais.
Para que a sociedade reconheça o valor das artes plásticas brasileiras, o preconceito e a ignorância em relação ao tema devem ser amenizados. Assim, as mudanças precisam começar desde cedo, nas escolas. O Ministério da Educação carrega a função de corrigir problemas relacionados ao ensino no país, e portanto deve desestimular a depreciação da arte, promovendo leis que alterem o funcionamento das escolas para que não tratem os talentos artísticos dos estudantes como descartáveis, tornando-os pontuáveis. Do mesmo modo, o ENEM deve passar a tratar a matéria como tão importante quanto as outras, assim elucidando aos poucos as gerações futuras e mitigando a marginalização da arte, bem como sua desvalorização.