Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 27/04/2021

Na Patagonia, na Argentina, é possível encontrar a “Cueva de las manos”, local com várias pinturas rupestres que demonstram a necessidade do ser humano de se expressar. Tais pinturas da história pré-literária podem ser comparadas com os grafites do Beco do Batman, em São Paulo. Em vista disso, no que tange a valorização da arte urbana no Brasil, é possível observar um grave problema de caráter intrínseco, quer seja devido ao preconceito, quer seja como forma de controle latente da população, não respeitando a livre expressão.

A priori, é preciso entender que grafite se trata de uma arte sem classificação, livre, elaborada pela população, majoritariamente anônima, que quer se expressar, politicamente, religiosamente ou artisticamente. Porém, pelo fato de serem feitos em via pública é constantemente denominada de vandalismo ou poluição visual, como ficou explicito pelo programa “Cidade Limpa”, do prefeito João Dória em 2017, que pintou a cidade de São Paulo de cinza, permanecendo apenas com os oito murais do grafiteiro Kobra. Demonstrando preconceito do que é ou não é considerado arte, visto que Eduardo Kobra é reconhecido mundialmente.

Ademais, é necessário reconhecer que a arte de rua também pode ser usada pela população como manifestação, assim como era feito na Roma antiga. Assim, o artista Alexandre Orion, usou um pano, e um balde com água para realizar sua obra “Ossário”, apenas retirando a fuligem dos carros em um túnel de São Paulo. Alexandre relata que foi parado diversas vezes pela polícia. Demonstrando assim, que o controle da manifestação da arte de rua não visa deixar a “Cidade Limpa”, e sim realizar um controle velado da população conforme opinião do arquiteto italiano Francesco Careri.

Portanto, diante do que foi exposto, fica claro que não cabe ao Estado determinar o que é ou não arte. Porém, por meio do Ministério da Cultura, o Estado deve fomentar a disseminação da arte urbana pela população, por meio da inclusão desse estudo na grade escolar. Também, por meio da criação de mais espaços no Brasil como o “Beco do Batman”, incluindo artistas conhecidos e não conhecidos. Talvez assim, por difusão o preconceito diminua e arte urbana aumente no Brasil respeitando o direito humano  universal de expressão .