Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 27/04/2021

A  arte é uma das formas de olhar o mundo, de interpretar e sentir a história. Dessa forma a arte urbana é uma das ferramentas que o cidadão tem para expressar-se nos mais variados temas, como a política, a religião, o divertimento, a estética entre outros. Decerto que é um direito resguardado pela Constituição Federal (CF), a Constituição Cidadã, que incentiva e defende a liberdade do indíviduo em propagar a sua arte, conforme artigo quinto da CF.  Entretanto, o baixo investimento do Estado na educação e o preconceito social para com essa arte implica na desvalorização do trabalho desses artistas.

Primeiramente, cabe salientar que todas as vezes que o Estado renega uma área é uma escolha política. Portanto, quando a educação não recebe os incentivos financeiros para a sua propagação, o Governo está posicionando-se para não proporcionar os meios necessários para a formação de indivíduos livres e pensantes, conforme a teoria do educador Paulo Freire. Sendo assim, o parco investimento de 5% do PIB para as escolas, conforme dados do Ministério da Educação ano de 2019, é uma  das facetas para barrar o acesso e o respeito à cultura pela sociedade. Pois, os jovens estudantes não terão acesso as artes que não são incentivadas pela indústria cultural, que para Theodor Adorno são aquelas que visam manter um ponto de vista hegemônico e mercantlista, ou seja, como a “street art” não faz parte do discurso oficial essa também não entrará no currículo escolar.

Certamente o grafiti é uma arte que planeja ser mais democrática, ou seja, tem como escopo levar a arte para todos, fora dos ambientes tradicionais, como museus e galerias. Entretanto, seus artistas, que em sua maioria, vêm das regiões periféricas, sofrem com o desprezo de uma parcela da sociedade que está presa ao preconceito estrutural da sociedade brasileira. Dessa forma, esses rejeitam as pluralidades de expressões do Brasil e concebem a arte urbana como algo marginal e vândala. Portanto, o investimento em educação se faz necessário para a quebra desses paradigmas.

Diante do acima exposto, faz-se urgente que o Ministério da Educação repasse mais verbas para as escolas, para proporcionar aulas de arte práticas, pois dessa forma os jovens poderão ter contato com as demais formas de expressão artística e com isso haverá o reconhecimento do outro e portanto a queda dos preconceitos que rodeiam a arte urbana. Assim como, a Secretaria Especial de Cultura deverá insvestir em propagandas sobre o respeito à cultura periférica nas mídias sociais e televisas, para dessa forma levar o conhecimento e quebrar as barreiras do preconceito que ainda acorretam a sociedade brasileira.