Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 27/04/2021
Como diversas manifestações sociais, a arte é uma das formas do homem conseguir canalizar seus sentimentos. Entretanto, apesar de ser um direito garantido constitucionalmente , na década de 60 os brasileiros foram restritos de se expressarem livremente. Desse modo, é válido analisar os desafios da valorização dessa forma artística especificamente nas cidades, tais como a desaprovação da população e limitação de tal no país.
De inicío, deve-se discutir acerca da relação conflituosa entre arte urbana e os próprios citadinos. Nesse viés, há um pensamento enraizado de que toda manifestação artística nos municípios se refere ao vandalismo e proclama violência. Isso se deve ao fato de que é constantemente retratado em filmes casos de pessoas marginalizadas socialmente que são abordadas por pichar ilegalmente estruturas. Contudo, apesar do grafite ser uma forma legal e de ativismo do cidadão ou apenas de função estética, o filósofo francês Pierre Bordieu prova através da teoria do “Habitus” que tal pensamento de vandalizar a arte urbana é algo coletivo e inconscientemente compartilhado nas gerações. Com isso, nota-se que, mesmo que a populção clame por um Brasil mais democrático, não é lógico que ela insista em negar a valorização de qualquer tipo de arte, inclusive urbana.
Além disso, é importante ressaltar que outro obstáculo a ser ultrapassado diz respeito à restrição cidadã de sua liberdade. Nessa perspectiva, como cita o artigo 13 da Carta Magna de 1988 , o brasileiro é livre para se expressar, com exceção do anonimato. Em confluência, para revelar suas opiniões sociais e sentimentos pessoais, muitas pessoas encontram o grafite como alternativa para exercer sua garantia constitucional. Mas, enquanto a valorização dessa expressão não se fazer presente, as pessoas ficarão mais perto de representarem o “Abaporu”, obra da modernista Tarsila do Amaral, a qual faz uma alusão da cabeça pequena como acriticidade do cidadão, consequência que pode ser evitada ao passo que a sociedade não condene a arte em si. Dessa forma, nota-se a necessiade da aplicação efetiva da Constituição para benefício artístico e social.
Portanto, é imperioso propor soluções mitigadoras para essa realidade de desvalorização do trabalho de artistas urbanos. Para tal, a Escola, como instituição social capaz de fazer mudanças a longo prazo, deve educar os alunos como cidadãos, através da inclusão na carga horária de assuntos a esse relacionado, a exemplo do estudo dos direitos sociais e aspectos da cultura, a fim de que as crianças e jovens no futuro consigam respeitar a arte urbana e compreender que sua expressão é igualmente livre para todos. Assim, ato ocorridos em 1964 tardirão acontecer novamente no país e pinturas como o grafite ganharão a devida atenção.