Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 30/04/2021

Historicamente, o retrato do Brasil para o exterior sempre fora baseado na perspectiva europeia. Analogamente, o “Achamento” do país, em 1500, foi responsável pelo início das representações do local, pois tornou-se importante mostrar as riquezas encontradas à Portugal. No entanto, as imagens retratadas na metrópole, por artistas como Rugendas e Debret, mostrava o continente como habitado por selvagens e inferiores, devido aos aspectos físicos e comportamentais dos indígenas. Desse modo, os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil, referem-se ao passado europeizado e ao ideal de que a nacionalidade, por essência, tem pouco valor.

A princípio, a noção de hiper valorização das características europeias provém de séculos de supressão da identidade nacional, visto que, todas as manifestações culturais como religião, divisão social e alimentação, dos povos verdadeiramente brasileiros, Indígenas e Africanos, foram suprimidas e instituídas socialmente como bárbaras, demoníacas e selvagens. Ademais, a política de “Enbranquecimento” da população com a vinda de imigrantes, como tentativa de avanço social a partir da mudança da “cor” do Brasil. Logo, o desafio para a valorização da arte urbana é a desconstrução do ideal de inferioridade dos brasileiros, sobre tudo aquilo que é essencialmente nacional e representativo.

Nesse sentido, o dramaturgo Nelson Rodrigues, foi responsável pela criação do conceito “Complexo de Vira-Lata”, que refere-se à falta de autoestima histórica do povo brasileiro perante a própria nacionalidade. Essa realidade reflete em todas as manifestações artísticas do Brasil, porque tudo aquilo que é nacional não é valorizado, assim como a arte urbana -pichações e grafite- que com frequência é vista como marginal, por retratar a realidade de determinado local de forma não acadêmica e europeizada.

Afinal, é imperioso para a valorização da arte urbana no Brasil que o Ministério da Educação promova, no ensino público e privado, durante as aulas de arte o aprendizado conceitual das diversas formas de expressão existente, com a inserção de momentos de debate com os alunos e professores. Para isso, é necessário o convite aos recém formados na área artística das Universidades Públicas, para explicar e enriquecer a mentalidade dos alunos do ensino fundamental e médio, a partir de uma visão essencialmente nacional, com o uso de fotos e adereços artísticos. Somente assim, ocorrerá a mudança efetiva do ideal de superioridade exterior, e a construção de um novo retrato na história da arte nacional, principalmente a urbana, visto que será explícito que todo a inferioridade fora inserida na mentalidade brasileira, por homens brancos e europeus, que buscavam tirar tudo dessa terra, não apenas Pau-Brasil, Açúcar e Café mas a própria identidade nacional.