Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 03/05/2021
Segundo o artista contemporâneo, Eduardo Kobra: “O maior museu é a rua”. Essa colocação do muralista se sustenta, pois a arte urbana não é apenas um complemento da paisagem das cidades, mas um palco a céu aberto de manifestações artísticas e expressões culturais que alcançam a todas as pessoas sem distinção. Todavia, o preconceito e a marginalização ainda são desafios a serem superados para que a arte urbana no Brasil possa ser cada vez mais valorizada e reconhecida, enquanto movimento artístico.
Nessa perspectiva, é importante salientar que o preconceito que recai sobre a arte de rua é um reflexo das relações conflituosas entre as diferentes classes sociais. O que ocorre devido a essa manifestação artística ter as suas origens em regiões periféricas, não seguir um padrão estético e muita das vezes ser entendida pela sociedade como subversiva. Além disso, essa visão distorcida se sustenta pela falta de conhecimento e de esclarecimento sobre os diferentes tipos de intervenções que acontecem nas cidades. Dessa forma, torna-se fundamental saber diferenciar o que se enquadra como arte urbana e o que é vandalismo e não se encaixa dentro do movimento.
Somado a isso, na luta contra a marginalização, uma das maiores ferramentas dos artistas de maior visibilidade tem sido levar a rua para dentro dos museus, ou seja, realizar exposições artísticas que exponham o que é visto nas ruas e ao mesmo tempo traduzam a mensagem que se quer passar por meio daquilo. O que colabora de maneira significativa para ampliar o entendimento geral da população sobre a arte urbana e abre mais espaço e oportunidades para outros artistas dentro desse ramo.
Portanto, para ampliar a propagação do conhecimento e discussão sobre a arte de rua, visando reduzir o preconceito e a marginalização dessa expressão cultural, é viável que o Ministério da Educação (MEC) torne esse tema parte do currículo mínimo obrigatório da educação básica, fazendo parte da disciplina de artes para os ensinos fundamental e médio. Além disso, as faculdades públicas que possuem centros de arte e cultura podem ofertar cursos de curta duração sobre arte urbana para a comunidade, contando com o auxílio dos graduandos de Belas Artes e da comunidade acadêmica no geral. Desse modo, será possível assegurar que a arte cumpra o seu papel fundamental, expressar a subjetividade e as perspectivas de diferentes mundos.