Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 08/05/2021

O Brasil, apesar de sua multiculturalidade, mostra-se tão preconceituoso como diverso. Nesse contexto, a visão colonizadora ainda prevalece, julgando como impróprio e acultural aquilo que não é produzido pela classe dominante. Dessa forma, não é de se estranhar, que a arte urbana brasileira, realizada majoritariamente pela periferia, ainda seja alvo de discriminação por parte da sociedade. Por isso, é necessário encontrar meios para a valorização da arte urbana no Brasil.

De fato, as expressões artísticas das periferias ainda são alvo de preconceito social. A Banda Calypso, por exemplo, sofreu inúmeras repelências desse tipo no início da sua carreira. Nesse âmbito, a vocalista do grupo, Joelma Mendes, em uma entrevista à TV Globo, afirmou que passou por diversas discriminações por cantar um rítimo periférico perjorativamente chamado de ‘brega’. Ademais, relata que o seu sucesso deu-se por conta da aceitação popular, pois foi vítima de boicote pela grade mídia. Desse modo, é evidente que há uma rejeição àquilo que não é produzido pela elite brasileira. Portanto, não é a toa que a arte urbana do Brasil é desvalorizada.

Por outro lado, assim como a Banda Calypso, as pinturas das cidades também possuem grande apreço popular. Nessa circunstância, o Beco do Batman, conhecido por suas grafitagens de personagens de quadrinhos, recebe numerosos turistas todos os anos. Ato que favorece a economia da cidade de São Paulo, onde é localizado, segundo O Globo. Além disso, o Museu Aberto de Arte Urbana de São Paulo, também é bastante procurado pelas pessoas que visitam a capital paulista, de acordo com a Veja. Entretanto, a injúria sofrida pelos artistas fundadores desse museu, evidenciado pelo Estadão, dificulta que mais espaços como esse sejam criados. Sendo prova da vulnerabilidade e gravidade da qual sofre a sociedade em relação a esse tema, pois além de prejudicar a economia, também afeta a cultura nacional.

Dessa maneira, é preciso encontrar formas para atenuar o preconceito social imposto a esse tipo de arte. Logo, deverá ser sancionado pelo Presidente da República e aprovado pela Câmara dos Deputados e Senado, um projeto de lei no qual os casos de injuria contra as artes urbanas sejam considerados crimes da mesma maneira que os casos de racismo e homofobia pela Lei Nº 7.716/1989. Assim, menos artistas seriam reprimidos e poderiam criar mais conteúdos dessa arte.