Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 20/05/2021
Conforme a primeira lei de Newton, um corpo tende a permanecer em seu movimento até que uma força atue sobre ele, mudando-o de percurso. Nessa perspectiva, em alusão ao corpo social brasileiro, ainda que a valorização da arte urbana promove a manutenção da identidade nacional, mesmo assim existem obstáculos a serem superados. Com isso, ao invés de funcionar como a força capaz de reverter essa situação, os desafios a respeito do preconceito contra pessoas que fazem arte na rua, bem como a desigualdade cultural acaba por contribuir com a situação atual.
Em primeira análise, é evidente a falta de reconhecimento pela expressão artística daqueles que praticam na rua, como grafiteiros. A princípio, a arte fica sendo vista como degradação do patrimônio, tanto quanto vandalismo. No entanto, sabe-se que na maioria dos casos isso não condiz com a realidade, uma vez que essa forma de manifestação tem seu caráter subjetivo, crítico e realista, sendo caracterizado como um ato de resistência. Porém, diante da sociedade excludente, é notório o descaso de ações públicas que garantam os direitos da liberdade de expressão, conforme estabelecido em lei – Constituição de 1988 –. Diante disso, cabe ao Governo tomar medidas que mude essa situação, a fim de zelar pela manifestação diversa.
Sob um segundo enfoque, sabe-se que aceitar o diferente é uma proposta que requer muita dedicação e paciência, sendo perceptível durante o Modernismo no Brasil, a partir de 1922, uma vez que a inovação da arte foi motivo de muitas críticas pela sociedade. Em consonância à realidade atual, a desigualdade cultura se aplica nesse contexto, em que muitos são excluídos sem qualquer tentativa pela valorização da criatividade. Além disso, falta ainda reconhecer a importância dessa diversidade, já que muitos proporcionam uma reflexão dos valores políticos, econômicos e sociais, como uma forma de comunicação. Nesse sentido, cabe não só a população, mas também aos esforços do governo, para que a mudança do percurso seja alterada, de modo que garanta a manutenção da identidade brasileira, a partir da arte.
Portanto, fica evidente a necessidade de medidas que realizem a mudança do percurso. Para isso, urge que o Ministério da Cultura crie, por meio de verbas governamentais, projetos nas escolas públicas, sendo administrados por profissionais de designe, para que seja incentivado a manifestação artística em lugares restritos pelo Governo, a fim de que ocorra a valorização. Além disso, cabe aos programas do Estado incluir investimentos nessa área, uma vez que os profissionais merecem mais reconhecimento, especialmente por promover a memória identitária do país. Somente assim, será possível a mudança do percurso, de modo que garanta uma perspectiva de mundo melhor.