Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 13/05/2021
O Academicismo, estilo artístico predominante nos séculos passados, pautava-se pela tentativa de manter o rigor e as regras formais dos acadêmicos da época, ou seja, as manifestações artísticas seguiam um padrão. No entanto, na realidade contemporânea há uma pluralidade do conceito de arte, variando entre extremas formalidades e inovações, como a arte urbana presente no Brasil. Esse cenário de diversidade, embora benéfico, enfrenta desafios de valorização das expressões de arte “menos escolarizadas”, seja pela universalização do conceito de belo, seja pela massificação dos gostos.
Sob essa perspectiva, é válido ressaltar o aspecto supracitado acerca da padronização da beleza na atualidade, assim como ocorreu na Europa com a arte acadêmica. Nesse sentido, o filósofo grego Sócrates divergia quanto ao conceito de belo, o mesmo acreditava que a beleza não está associada a aparência de um objeto, mas em quão proveitoso ele for. Nesse sentido, a visão estreita do belo impede com que os cidadãos enxerguem a mensagem que está sendo transmitida por meio da arte e, consequentemente, desvalorizem manifestações artísticas de menor rigor estético, como a arte urbana, a qual está mais preocupada com o conteúdo em detrimento da forma. Isso explica o fato de indivíduos tipificarem expressões como o grafite de vandalismo, visto que o caráter reflexivo e crítico presente nessas performances possui menor valor que a arte formal, o que reflete um corpo social em que predomina o preconceito e a ignorância, criando uma aversão a qualquer tipo de inovação artística. Também merece destaque, nessa discussão, a massificação dos gostos individuais, agravado com o advento da globalização, que interligou culturas distintas, entretanto, homogeinizou preferências, sobretudo, no campo artístico. Nessa lógica, o conceito de “Indústria Cultural”, de Adorno e Horkheimer, ganha espaço no aspecto de produção em massa, comum em indústrias, que passou a ser adaptada a produção artística. Segundo os autores, o objetivo da insústria cultural é o lucro e a manutenção do pensamento dominante, no caso, a valorização da estética como símbolo de representatividade da arte, haja vista que fornece maior lucratividade que as produções marginais. Assim, fica claro que a arte urbana não recebe a devida valorização pelo padrão de beleza social e pelo interesse mercadológico. Infere-se, portanto, a necessidade de medidas serem tomadas visando solucionar os impasses de valorização da arte urbana. A priori, compete ao MEC(Ministério da Educação e Cultura), promover eventos de divulgação artísticas, com a exibição de quadros modernos, livres de rigor estético, sendo realizada por meio das escolas e teatros, o que possibilitaria o contato dos indivíduos com uma arte interativa, que transmite uma mensagem como o grafite, com o objetivo de mostrar que a cultura não resume-se a estética, mas ao seu valor , como postulou Socrátes. Assim, a arte urbana será valorizada.