Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 14/05/2021
Arte e união
O filme musical “Beat Street” revela o início da história do grafite urbano e a aversão da sociedade em relação ao assunto. Fora dos limites ficcionais, a difícil realidade brasileira de pouca valorização deste tipo de arte pode ser observada. Apesar da grande importância que o movimento carrega há décadas, a opinião que o invalida permanece até os dias atuais.
Sob tal viés, é possível destacar a grande bagagem cultural que esta intervenção artística possui. O grafite não se trata apenas de pinturas em espaços públicos, também é uma forma de liberdade de expressão perante assuntos sociais, apresentando características de um determinado lugar. Segundo o antropólogo brasileiro, Roberto da Matta, a identidade de um local é formada por pessoas que o habitam e essencial para união e desenvolvimento, sendo assim, a pertinência da arte urbana é clara.
Neste contexto, parte dos cidadãos não enxerga a relevância da temática por conta do preconceito enraizado. Desde o início desta manifestação nas ruas das cidades, houve oposição, que na época era mais incisiva. Ao longo do tempo, a informação foi capaz de alterar a opinião de alguns, porém, por outro lado, o pensamento retrógrado de outra parcela se perpetuou. De acordo com o sociólogo Pierre Bourdie e sua “Teoria do Habitus”, ações irracionais são causadas por um senso comum ao seu redor, fato que impede a verdadeira reflexão, portanto, o prejulgamento da arte só pode ser combatido com educação.
Em síntese, medidas são necessárias como solução. A escola, formadora do pensamento crítico, deve promover discussões sobre a importância da arte urbana por meio de aulas e debates em grupo, abordando aspectos sociais e culturais. Ação a fim de que o tema obtenha devida valorização e consequentemente, a sociedade brasileira seja unida pelo orgulho.