Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 16/05/2021
O jornalísta Gilberto Dimenstein elaborou a tese denominada “Cidadão de Papel”, na qual o autor define o termo como o indivíduo que, apesar de possuir direitos na legislação, não os vivencia devido à subtração destes pela esfera governamental. Nesse sentido, essa definição pode ser aplicada em diversos contextos brasileiros, como a desvalorização da arte urbana, que impossibilita uma grande parcela populacional a absorver essa expresão cultural. Diante disso, é imprescindível enunciar a negligência das autoridades públicas e a desinformação como pilares fundamentais da chaga.
Em primeira análise, torna-se evidente a influência do descaso governamental. Sob esse viés, conforme o artigo 215 da Constituição Federal de 1988, o estado compromete-se a apoiar e incentivar a valorização das manisfestações culturais. Entretanto, o poder público nao investe na preservação e na manutenção das obras expostas na cidades brasileiras, sendo estas submetidas a diversas formas de depredação, vandalismo e roubo. Dessa maneira, os artistas acabam optando por divulgar seus trabalhos em mercados fechados e com clientes exclusivos, por ser mais vantajoso economicamente. Consequentemente, o mundo da arte fica restrito a uma ínfima parcela da população. Dessarte, discorrer criticamente essa problemática é o primeiro passo para a valorização da arte urbana nacional.
Ademais, é cabível pontuar que o aspecto educacional do país corrobora a problemática. A esse respeito, o educador Paulo Freire concluiu que ensinar é criar a possibilidade da construção do conhecimento. Nessa lógica, enfatizando o pensamento de Freire, o sistema de ensino brasileiro é negligente em diversos aspectos - em destaque a disciplina da História da Arte. Dessa forma, a educação inconsistente retira dos brasileiros a capacidade de compreender o poder de transformação social dos movimentos artísticos: reinvindicações, manifestações. Por consequência, em razão da desinformação, inicia-se um processo de repúdio às expressões culturais. Assim, medidas precisam ser tomadas pelas autoridades competentes, a feto de atenuar o revés.
Infere-se, portanto, que essa vergonha nacional necessita ser solucionada. Logo, a mídia, por intermédio das emissoras televisivas, irá levar a discussão acerca da valorização da arte urbana aos representantes da Procuradoria-Geral da União. Essa medida ocorrerá pela elaboração de um projeto estatal, em parcerias com as emissoras de televisão, com objetivo de mostrar as reais consequências do problema e apresentar uma visão crítica a respeito da Arte no Brasil. Em adição, o Congresso Nacional deve publicar artigos jurídicos de investimento na capacitação dos docentes das escolas públicas, com intuito de melhorar o ensino fornecido. Feitos esse pontos, efetivando a Constituição e o desenvolvimento do conhecimento, a sociedade brasileira deixará de ser uma comunidade de papel.