Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 08/06/2021

O documentário da Netflix “Cidade Cinza”, de Marcelo Mesquita, traz depoimentos de grafiteiros da cidade de São Paulo que tiveram suas obras escondidas pelo governo, ao serem pintadas de cinza. Da mesma maneira representada na filmagem, o trabalho artístico urbano no Brasil apresenta problemas relacionados à confusão entre obras de arte, feitas nos prédios e ruas, e vandalismo. Isso ocorre por conta de pessoas que não compreendem as provocações realizadas pelos artistas ou por mera ignorância, uma vez que a arte não é ensinada a todos.

Em uma primeira análise, é relevante o entendimento que  arte urbana representa uma expessão do artista em relação à uma provocação, como pode-se ver nas produções do engenhoso Banksy, famoso artista que apresenta em seus trabalhos comentários sociais e políticos que podem ser encontrados em diversas cidades pelo mundo. Deste modo, quem não compreende a maneira do criador, acaba acreditando que a pintura é um ato de vandalismo, querendo extinguí-la.

Em contrapartida, há o não entendimento deste por ignorância. Segundo uma reportagem publicada no telejornal “Terra”, a matéria de artes foi removida do currículo obrigatório de Ensino Médio, deixando apenas conteúdos “pertinentes para o futuro”. Dessa maneira, acaba-se criando jovens sem pensamento crítico, que não são capazes a apreciar um mural, uma pintura ou uma escultura, mesmo após mais de dez anos de ensino.

Dessa forma, é necessária que sejam introduzidas políticas para diferenciação entre vandalismo e arte, feita principalmente pelo Poder Legislativo em conjunto do Poder Judiciário. Com isso, os que não compreenderem a provocação realizada pelos artistas conseguem, pelo menos, distinguir o que é correto pela lei e o que é errado. Além dessas novas leis, o Ministério da Educação, simultaneamente com a rede pública de educação, devem reinstituir aulas artísticas nos colégios, mesmo que opcionais, para que os alunos consigam ter contato com um mundo cultural, diferentemente do que já aprendem normalmente na grade curricular.