Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 24/05/2021
No filme “Se ela dança, eu danço”, é retratada a vida de artistas que se dedicam a mostrar ao mundo a beleza das artes de rua. Nesse sentido, tal premissa se faz presente no contexto brasileiro vigente, uma vez que arte urbana permeia a sociedade atual. No entanto, essa vertente artística, devido ao preconceito exacerbado, sofre uma série de desafios para ser valorizada. Logo, é de suma importância analisar, respectivamente, as causas e as consequências desse impasse: a ideologia da elite brasileira e o medo de mudanças sociais.
De início, convém enfatizar que a cristalização de pensamentos autocráticos é a principal causa dos desafios para a valorização da arte urbana no Brasil. Nessa óptica, conforme Nietzsche -filósofo alemão-, o mundo é regido pela chamada “Genealogia da Moral”: os valores socias estão interligados à divisão de classes, em que os de caráter “positivo” são atribuídos ao grupo dominante e os de caráter “negativo” associados à plebe. Nesse prisma analítico, infere-se que quando a arte destoa dos padrões pré-estabelecidos pelos ricos, a marginalização dessa forma cultural se torna um fato inevitável. Dessa forma, percebe-se que a ideologia opressiva da elite brasileira colabora com a perpetuação do preconceito à arte de rua, o que dificulta a valorização desse segmento artístico.
Ademais, o receio de mudanças socias se mostra como uma das piores consequências da desvalorização da arte urbana. Nesse contexto, é válido relembrar o famoso “Movimento Vanguardista” brasileiro, o qual se caracteriza por uma série de obras críticas e inovadoras do século XX. Porém, em um primeiro momento, o setor social mais conservador nem considerava esse marco simbólico como uma forma de arte. De maneira análoga, percebe-se que as obras urbanas contemporâneas se assemelham as vanguardas do século XX, haja vista que são movimentos que unem a beleza da arte com o sentimento de rebeldia frente aos problemas socias da época. Portanto, é nítido que a manifestação artística atual é dotada de criticidade, o que estimula um sentimento de necessidade de mudança e, consequentemente, exacerba o medo da classe social dominante, posto que mudanças são desnecessárias para aqueles que já se beneficiam do sistema.
Depreende, pois, que a valorização da arte urbana no Brasil apresenta uma gama de desafios. Destarte, urge que o Estado, por meio de campanhas publicitárias, promova eventos que incentivem a apreciação das obras de rua da cidade: melhor maneira de mostrar para os cidadãos que é possível unir, de forma civilizada, a arte a críticas sociais. Nesse ínterim, o intuito de tal medida é romper com a ideologia opressora a respeito das artes modernas. Feito isso, garantir-se-á o respeito a todo tipo de cultura e, concomitantemente, o medo dos impactos que a arte proporciona irão diminuir.