Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 07/06/2021

Os primeiros indícios de arte urbana no Brasil surgiram na época da Ditadura Militar(1964-1985), como forma de protesto de grupos marginalizados por meio de grafites e pinturas, desenvolvidas em espaço público. Diante disso, prorroga até os dias atuais os desafios enfrentados afim da valorização das expressões artísticas nos centros urbanos, devido ao entendimento de que quem produz esse tipo de arte é bandido e também a desvalorização das artes como um todo.

Em primeiro lugar, evidencia-se que o Estado não compreende ou mesmo valoriza os grafites e pinturas que dão vida as grandes cidades. Exemplo disso foi a “maré cinza”, onde o então prefeito de São Paulo, João Dória mandou pintar de cinza o maior maior mural de grafite da América Latina, com participação de mais de 200 artistas. Favorecendo assim a visão problemática de que os artistas e grafiteiros são criminosos, agravando-se ainda mais quando são negros e periféricos, chegando até a serem presos. Quando na verdade estão praticando seu direito de expressão cultural e embelezando as cidades.

Por conseguinte, segundo o artigo 5 da Constituição Brasileira de 1988, é livre a expressão da atividade artística e de comunicação, independentemente de censura ou licença, mesmo constando na lei, na prática isso não é assegurado. Ademais, a arte não é vista como algo importante na formação dos indivíduos nas escolas e deve ser pelo fato de que é por meio dela que entendemos a história e política ao longo do tempo, como pode ser visto na obra “Guernica” de Pablo Picasso, onde ele retrata os horrores da Segunda Guerra Mundial.

Portanto, é mister que o Estado tome providências afim de amenizar o atual cenário de desvalorização da arte urbana. Urge que o Ministério da Educação, incentive as práticas culturais, pinturas em espaços públicos e também debates de obras que retrataram eventos históricos e políticos por meio de campanhas publicitárias, assegurando os direitos previstos em lei, para que assim a “maré cinza” não volte a acontecer.