Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 07/06/2021
De acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, todo cidadão é livre para se manifestar artisticamente. Dentre as diversas formas de expressão, a arte urbana revela a percepção da sociedade sobre tudo o que ocorre à sua volta. No entanto, ainda há desafios para a valorização dessa exposição no Brasil, seja pelo preconceito ou pela carência de políticas públicas eficazes.
Em primeira análise, é válido salientar o preconceito contra a arte urbana como um dos desafios para a valorização desta. O rompimento com as tradições artísticas das vanguardas europeias, proposto pela geração modernista de 22, provocou uma repulsa na sociedade, a qual, até os dias atuais, busca seguir padrões que a mantenha confortável. Nessa perspectiva, tudo o que foge dos arquétipos normativos é tratado com estranhamento, o que acontece com a arte urbana. As formas de expressão desse grupo, seja por meio de pinturas em muros e fachadas, danças de rua ou malabarismo no sinal de trânsito são associadas à atos vândalos ou criminosos pela sociedade, a qual pouco está interessada no contexto e objetivo social dessa manifestação.
Outrossim, a carência de políticas públicas eficazes que favoreçam a arte urbana é um desafio para a valorização dessa manifestação no Brasil. Segundo a Constituição Cidadã de 1988, é dever do Estado apoiar e incentivar a valorização e a difusão cultural. No entanto, sendo a arte urbana um meio de democratização do acesso à essa garantia, a ineficiência de ações destinadas ao desenvolvimento dessa manifestação contribui para a desvalorização da mesma. Isso ocorre devido à negligência estatal frente às necessidades desse grupo, seja pela falta de espaços públicos destinados ao destaque dessa arte e pela inexistência de esclarecimento perante a sociedade sobre a importância dessa atividade para a consciência coletiva.
Em vista disso, a fim de promover a valorização da arte urbana no país, cabe ao Governo Federal, em parceria com o Ministério da Educação e da Cultura, elaborar palestras abertas à comunidade em geral, as quais serão ministradas nos centro educacionais por psicopedagogos e artistas urbanos, com a finalidade de desmistificar e informar sobre a produção e objetivo da arte urbana. Enquanto ocorre a palestra, um muro branco (previamente separado) deverá ser grafitado por um grupo de artistas, no intuito de demonstrar a atividade ao vivo. Ademais, é dever dos governos estaduais promover encontros semestrais com a comunidade da arte urbana, a qual deverá expor suas necessidades e pretensões com relação à plena difusão do seu trabalho. Essas reuniões ocorrerão nos centros de convenções estaduais e serão divulgadas na mídia, com o objetivo de reunir o maior número possível de indivíduos e integrar demandas importantes.