Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 05/06/2021
Desde a pré - história temos registros desse tipo de arte, que apesar de terem nomes e conceitos diferentes, representam a mesma coisa: expressão artistíca. Na antiguidade, os homens da caverna utilizavam das chamadas pinturas rupestres para se comunicarem entre si. Já no mundo contemporâneo, temos a arte urbana como forma de liberdade de expressão, usada principalmente como forma de protesto, porém, há uma grande desvalorização desse meio cultural no Brasil, trazendo aos artistas problemas com as autoridades e descaso da população, que muitas vezes encaram como vandalismo, e não como arte.
É retratado na novela da Globo, ‘‘Malhação: Viva a Diferença’’, uma situação em que os personagens Felipe e Lica, estão grafitando em um muro da cidade, até que são abordados por policiais, que veem esse tipo de arte como bagunça e vandalismo. Eles iniciaram uma perseguição, mas por se tratar de adolescentes, não levaram muito longe e desistiram. Porém isso é um reflexo do preconceito que esses artistas sofrem diariamente, essa desvalorização da sua forma de protestar e expressar como se sente. Infelizmente, a arte por completo já é desvalorizada no Brasil. Não é muito dificil ouvirmos pessoas reproduzindo discursos discriminatórios com profissionais de diversas áreas da arte, especialmente com os artistas de rua, pois muitos não querem enteder a importância da arte para a sociedade, seja no aspecto da educação, do lazer ou até mesmo da economia.
Porém, há pouco mais de 10 anos, foi aprovada uma lei que pode ter sido um avanço artístico no território brasileiro. A lei 706/07, aprovada pelo Governo Federal em março de 2009, descriminalizava a arte de rua, desde que houvesse a autorização dos proprietários. Esse é um sinal de que, mesmo que aos poucos, estamos avançando quanto a nossa ideia de cultura, deixando de lado aquela ideia ultrapassada de que apenas um tipo de arte é bom e útil, ou que apenas um tipo de arte deve ser exaltado e consumido. Devido a isso, devemos valorizar mais esses artistas, que trazem em suas imagens, protestos, desabafos e até mesmo, uma forma de comunicar- se uns com os outros, tal qual era na pré - história.
Portanto, cabe ao Ministério da Cultura, em parceira com as escolas públicas e privadas, que são responsavéis pela educação dos cidadãos que em breve serão a mudança do país, promover campanhas de incentivo à arte urbana, por meio de projetos para os jovens que se interessam por essa área, com o objetivo de instruí- los sobre a necessidade de cultura. Além disso, a sociedade precisa aprender a valorizar mais os artistas que já estão no mercado, sem discriminar um tipo diferente de expressão cultural, apenas por preconceito de achar que uma arte é melhor ou pior do que a outra.