Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 06/06/2021

“Apagaram tudo, pintaram tudo de cinza”, diz a música “Gentileza”, de Marisa Monte, que narra o apagamento de pinturas de um artista em viadutos do Rio de Janeiro. Sobre o assunto, pode-se afirmar que os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil são a discriminação que ela sofre, além da falta de políticas públicas de apoio ao setor.

Em primeira análise, seja pela confusão entre grafite e pichação, ou por preconceito, não há a consciência de que, tal qual se faziam as pinturas rupestres, grafites, por exemplo, também retratam a realidade em que se vive. Outrossim, como se vê no filme “Lixo Extraordinário”, o sucesso de alguns artistas urbanos dá-se basicamente de longe e com a chancela de pessoas de prestígio. Todavia, o tratamento dispensado pela sociedade aos artistas locais não costuma passar do desprezo, podendo até, na visão de muitos, a forma de expressão não ser considerada arte.

Além disso, lembra-se que os artistas urbanos não podem ir muito além dessa realidade na atual conjuntura, já que o Estado, em suas diversas esferas, ignora o clamor por políticas de auxílio e reconhecimento. Em verdade, o que ocorre é quase uma política de caça a pessoas do ramo, negando-lhes, assim, a plena asseguração do direito à liberdade de expressão, como garante a Declaração Universal dos Direitos Humanos.       Diante disso, propõe-se que, visando a quebrar o paradigma da discriminação da arte urbana, ela seja incluída, pelo Ministério da Educação, no currículo escolar, de forma que o assunto chegue às escolas; estas também devem promover visitas a obras desse universo, a fim de que haja uma completude do ensino. Outrossim, o Governo Federal deve tombar espaços dessa forma de arte, com o Instituto Nacional de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, bem como criar programas de auxílio aos artistas, ambas medidas destinadas a valorizar essa forma de expressão. Dessa maneira, os efeitos poderão ser sentidos pela sociedade a médio e longo prazos, provocando também uma mudança interna nela.