Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 06/06/2021
No ano de 1922, no Teatro Municipal de São Paulo, ocorreu a chamada Semana da arte moderna, esse evento foi o ápice da quebra de padrões na literatura e pintura brasileiras. Atualmente, pode-se perceber um cenário parecido em relação à urbanografia, porém, essa enfrenta alguns desafios, pois—apesar de ser relevante para a sociedade—sofre preconceito por parte dessa. Portanto, é necessário discorrer sobre o assunto para que se chegue a soluções.
Primeiramente, é válido ressaltar que a arte urbana não recebe o devido valor, pois a maioria dos indivíduos não conhece seu propósito e acabam por negligenciá-la. Tal cenário ocorre porque há a confusão entre os subgêneros da urbanografia—os quais possuem propósito de destacar os problemas de esfera social, política ou econômica, além da estética que acompanha a harmonia da rua pintada—com as artes que visam o vandalismo. Essa perspectiva é de acordo com o físico alemão Albert Einstein, ao afirmar que é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito enraizado. De fato, o alvoroço citado alimenta um falso julgamento quanto a “street art”.
Em segunda instância, é importante destacar ainda que um dos objetivos da urbanografia é deslumbrar e chocar seu consumidor. Dessa forma, possui característica rebelde, fora dos padrões, o que potencializa o preconceito supracitado. Tal quadro é consoante à teoria do estigma social proposta pelo sociólogo canadense Eving Goffman, a qual consiste em desvalorizar a parcela da população que não vai de acordo com os costumes da maioria. Portanto, os artista e as artes urbanos, por irem de encontro aos modelos de expressão largamente difundidos, são estigmatizados.
Posto isso, faz-se mister que medidas sejam tomadas para a gradual desintegração da problemática. Dessa forma, a Funarte (Fundação Nacional de Artes), juntamente com o Ministério do Turismo, deve mostrar a arte de rua de diversas cidades, além de destacar a importância dessa—mediante eventos de turismo gravados, para posterior postagem em portais e redes sociais e palestras dadas pelos artistas urbanos—, com a finalidade de atenuar o preconceito. Assim, a sociedade, gradualmente irá de encontro a Einstein.