Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 08/06/2021

De acordo com o filósofo alemão Nietzche, a arte existe, porque o homem não consegue lidar com a realidade que o acerca. Dessa forma, no Brasil, a população marginalizada pelo sistema capitalista expressa suas dores e vivências através da arte urbana . No entanto, essa expressão artística enfrenta desafios ao ser relativizada e desvalorizada pelo Estado, que se divide em permitir a opressão e em praticá-la. Pondo em risco, assim, a identidade da própria cidade ao elitizar a arte.

A princípio, um grande desafio para a valorização da arte urbana no Brasil é o seu questionamento enquanto tal e, consequentemente, intolerância perante suas diversas expressões. Segundo o jornal El País, o prefeito da cidade de São Paulo- João Dória- pintou de cinza muros que continham graiftes e ainda ‘‘declarou guerra’’ aos seus criadores, e essa atitude fez parte de um projeto chamado Cidade Linda. Nesse sentido, pode-se observar a elitização da arte, quando ele a considera vandalismo, simplesmente, porque não foi produzida por membros de classe social superior. Essa atitude, além de deixar evidente o preconceito de classe existente na sociedade brasileira, tenta apagar a cultura de quem a produziu e barrar o canal entre os diversos membros da sociedade.

Ainda que exista uma lei que descriminalize a arte urbana, sua existência e valorização sempre serão um desafio gigantesco, enquanto houver o preconceito acerca da sua origem. Essa lei- 706/07- aprovada em 2009 pelo Governo brasileiro permite a existência desse movimento sob autorização dos donos dos muros. Entretanto, não é suficiente, pois uma abordagem ampla sobre essa expressão artística possibilita a democratização do seu acesso e, assim, garantir a dignidade humana. Ela é explicada pelo filósofo francês Michel Foucault, que diz que o homem é uma construção biopsicosocial e a garantia dessas três esferas o assegura dignidade. Dessa forma, com a esfera social defendida, ou seja, possibilidade de expressão cultural, o corpo social além de expressar suas dores, tem consciência de seus deveres na sociedade.

Enfrentar, pois, os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil é de extrema necessidade para a garantia de direitos essenciais, de identidade de um grupo- que é maioria- na sociedade. Portanto, cabe à sociedade civil- por meio de Organizações Não Governamentais- criar programas nas comunidades carentes, que estimulem a expressão artística da população e cobrar do Estado a defesa delas, para que assim o corpo social possa entender as diversas realidades existentes no mesmo país. Além disso, cabe à Mídia- órgão com grande poder de coerção social-divulgar as produções artísticas e sua importância - por meio de programas semanais na TV aberta-, a fim de que com sua popularidade, o preconceito possa diminuir e sua existência não possa ser mais questionada, nem elitizada.