Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 07/06/2021

A aparofobia perpetuada pelas elites brasileiras sempre fez com que a arte marginal fosse tida como ruim ou criminalizada. Como foi o caso do grupo de rap Facção Central que teve seu clipe “Isso Aqui é Uma Guerra” sensurado pelo Ministério Público por incitação a violência. Assim como o rap, o grafite e a pixação também sofrem com o preconceito e enfrentam diversos desafios para sua valorização e seu reconhecimento como expressão artística.

Em primeira análise, vale salientar que a desvalorização da arte urbana está diretamente relacionada ao preconceito contra as periferias e áreas mais pobres. Como foi o caso de Jean-Michel Basquiat, um premiado artista estadunidense que ficou conhecido por suas pinturas neoexpressionistas, iniciadas nos guetos de Nova Yorque, mas que sofreu ataques por se expressar em forma de grafite. Isso mostra que a arte urbana é de suma importância para o desenvolvimento da liberdade de expressão nos bairros e cidades mais pobres, porém, enfrentam um preconceito enraizado que necessita ser combatido.

Ademais, a arte serve à sociedade como ferramenta importante de protesto e liberdade de expressão. Como foi o caso das pixações de “Abaixo a Ditadura” que ficaram conhecidas mundialmente como protesto contra o  regime militar ditatorial no Brasil, na década de 70 e 80. Nesse sentido, devalorizar a arte urbana, é desvalorizar a liberdade de expressão e, segundo Ernst Fisher, “a função da arte não é a de passar por portas abertas, mas a de abrir portas fechadas”.

Dado o exposto, é mister que haja políticas públicas para mitigar a problemática. Portanto, cabe ao Ministéro da Cidadania concentrar verbas para a criação de sarais e oficinas de arte urbana distribuidas pelo país. Por meio destas, conscientizar a população brasileira sobre a importância da arte urbana no desenvolvimento social e liberdade de expressão e, além disso, sua importância histórica. Dessa forma, vencer o preconceito e rumar para uma sociedade mais livre e multicultural.