Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 08/06/2021
Basquiat: A arte da periferia
“Não penso sobre arte enquanto estou pintando, tento pensar sobre a vida”, assim proferiu Jean- Michel Basquiat, um dos ícones da arte urbana. Por meio da arte descrita pelo artista que a parcela marginalizada da população brasileira, a partir da década de 70 em São Paulo capital, começa a tentar reerguer-se, expressar-se e impor-se. Além disso, essa forma de expressão objetiva o rompimento de paradigmas do academicismo das belas artes, por ecoar e amplificar a voz da periferia ao longo da cidade, e romper paradigmas sociais. Por isso, é necessário entender as origens da relutância social em valorizar esse movimento e os impasses existentes para a perpetuação da arte urbana brasileira.
Em primeira análise, a concepção de arte em solo brasileiro foi efetuada com a vinda da corte da família real, mediante a missão artística francesa. Entretanto, o âmago da expressão contemporânea artística é antagônico ao eruditismo, possuindo em sua origem os becos e vielas das periferias e regiões suburbanas do Brasil. Essa nova origem rompe com a história da arte, por ter como primórdio as margens, e por essa ser a principal característica do movimento. Dessa forma, a arte urbana enfrenta a retaliação da elite, por dissernir do modelo elitista.
Por conseguinte, essa manifestação artística-política é considerada como algazarra pela elites brasileiras, já que elas, diferentemente da trajetória artística, não possui participação na arte urbana. Durante o període da ditaduta civil-militar, a arte crítica era retratada como inimiga do Estado, essa “concepção” foi perpetuada por gerações conservadoras e utilizada como sinônimo para vandalismo. Entretanto, os artistas persistem para desmestificar a calúnia e prosseguir adentrando nas periferias como representação da força da voz das camadas marginalizadas.
Em suma, urge a necessidade de reconhecimento e suporte à arte urbana brasileira. Outrossim, a valorização deve vir por meio da ampliação do conhecimento sobre o movimento. Por isso, o Ministério da Educação (MEC) deve, mediante a incentivos financeiros estudantis, instituir na grade curricular palestras com artistas urbanos, visando a maior integração das novas gerações com essa forma de arte e sua valorização. Além de a Secretaria Especial da Cultura, auxiliará com o suporte burocrático e econômicos iniciativas civis para expandirem exposições autorais da arte urbana em locais públicos, como parques e centros universitários, dessa forma, ampliando o destaque dos artistas e o contanto com o público.