Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 08/06/2021
No contexto do Renascimento Clássico europeu, houve maior investimento no âmbito artístico incentivado pelas classes bem desenvolvidas, que influenciou o mundo todo. Fora do tablado histórico, a arte na conjuntura contemporânea brasileira tem um viés urbanizado e com um papel essencial de denúncia, reflexão e inclusão social, de forma diversificada. No entanto, tal prática artística enfrenta uma série de desafios para sua valorização e consolidação. Esse cenário ocorre em razão não só da manutenção da cultura artística elitista, como também do déficit educacional brasileiro não fomentador da valorização da arte urbana.
A princípio, a desigualdade social histórica brasileira é uma realidade que norteia o desenvolvimento da sociedade influenciando sobre o conhecimento da nação a respeito da relevância da arte urbana como importante ferramenta de denúncia e inclusão, capaz de fortalecer a identidade nacional. Segundo o jornal Folha de São Paulo, 8% da população brasileira sabe ler e escrever proficientemente. Sob essa realidade, é evidente a ausência ou a pouca noção de consciência crítica da maior parte do universo social, dificultando a compreensão da arte de rua como uma unidade social. Nesse contexto, fica limitado a uma classe, detentora de ampla informação e consciência que compreende e reconhece a arte urbana. Desse modo, a manutenção de uma cultura artística elitizada é um empecilho para a valorização e consolidação da arte de rua.
Ademais, o ensino não fomentador do exercício da consciência da riqueza e da importante função no cenário social que a arte urbana tem, demonstra um déficit educacional, sob a lógica da escola não cumprir seu papel de formar cidadãos. Consoante ao método do pedagogo Paulo Freire, a educação deve ser libertadora e conscientizadora para a formação humana. Logo, a falta de reconhecimento da própria arte pela população e da importância da linguagem social que a arte de rua reverbera vai de encontro com a lógica freineana. Dessa forma, dificulta-se a valorização da arte marginal no Brasil.
É evidente, portanto, que ainda há entraves para a solidificação de políticas que visem a construção de uma identidade brasileira através da arte de rua. Nesse viés, cabe ao Poder Público, por intermédio da Secretaria da Cultura, promover maior protagonismo do Estado no apoio e em recursos para disseminar a arte urbana, por meio de fornecimento direcionado de recursos para essa área e também espaços públicos, em todas as cidades, para serem revitalizadas por essa forma artística. Além disso, o Ministério da Educação, para fomentar o prestígio dessa arte, deve inserir nos parâmetros curriculares a valorização da arte marginal, por meio de projetos sociais que fomentem a criatividade e a consciência crítica, através da prática em ambientes escolares. Assim, será possível contornar essa realidade.