Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 10/06/2021

O artista de rua britânico Banksy é reconhecido mundialmente pelo imenso valor que é dado às suas obras. Entretanto, a realidade da maioria dos artistas urbanos no Brasil é de intensa e excludente marginalização, o que constitui um desafio para a consolidação da aceitação social desta modalidade artística. Sendo este, portanto, um óbice latente no tecido social brasileiro, urge que haja um amplo debate acerca do assunto.

A priori, nota-se que a incompreensão que recai sobre as intervenções urbanas tem raiz num senso deturpado e anacrônico acerca da arte. Segundo a doutora Lúcia Santaella, “a cultura só cresce na medida que se mistura”. Deste modo, o senso comum que prega um hermetismo preciosista às artes plásticas, além de conceitualmente equivocado, é culturalmente contraproducente, pois priva a arte da dinâmica da modernidade. Logo, é perceptível que não há justificativa para negação ou idealização de obras, visto que todas elas são produtos de um meio.

Ademais, sob uma perspectiva socioeconômica, há de se apontar um caráter elitista e racista na rejeição com a qual as manifestações artísticas urbanas são encaradas. Tendo em vista que a etnia caucasiana, por mais de uma vez, já foi fulcral para a aceitação e disseminação de várias expressões de arte marginal, há de se concluir que questões discriminatórias influem no ostracismo social que a “street art” sofre.

Destarte, nota-se que a inclusão social dos artistas e da arte das ruas é fundamental para a construção de uma cultura que se conecte com as problemáticas pós-modernas. Então, cabe às prefeituras, as quais tem o dever de prover lazer ao cidadão,  promover projetos que incentivem a exposição de artes urbanas e a formação de novos expoentes dessa modalidade mediante destinação de verbas públicas para a realização dos eventos. Deste modo, busca-se uma popularização dessas expressões, fazendo com que a valorização de Banksy não mais seja uma fantasia para os artistas brasileiros.