Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 21/08/2021

A obra “Utopia”, de Thomas More, retrata uma sociedade ideal, ausente de conflitos sociais, a partir de uma comparação com sua precária realidade inglesa do século XVII. Analogamente, a conjuntura brasileira hodierna é semelhante à precária de More, pois a arte urbana ainda é extremamente desvalorizada, visto que o tradicionalismo estético e a omissão estatal são fatores potencializadores. Torna-se urgente, portanto, a criação de meios os quais visem à mitigação desses fatores.

É de crucial importância analisar o teórico papel das escolas de formar valores para a inserção dos jovens na sociedade. Desse modo, o pedagogo Paulo Freire, na obra “Pedagogia do oprimido”, entendia que as escolas atuais são arcaicas, por predominarem métodos voltadas ao ingresso nas faculdades em detrimento da formação de valores, como a valorização da arte urbana. Essa arcaicidade ocorre ao passo que há a perpetuação do ensino tradicional acerca da arte, sendo caracterizada unicamente como uma questão estética, em contraponto com sua principal característica: a crítica social. Nesse sentido, tendo em vista que esse aspecto em falta nas escolas são presentes na arte urbana, os indivíduos são moldados à desvalorizar a arte urbana, uma vez que nem sempre há a estética bem desenvolvida, mas é latente a crítica exercida.

Outrossim, convém ressaltar a ideia da filósofa Hannah Arendt, no livro “Eichmann em Jerusalém”, a qual diz respeito à naturalização de problemáticas e a sua consequente banalização. Dessa maneira, o cenário da naturalização da carência de projetos públicos estatais com a finalidade da valorização da arte urbana, a exemplo de espaços destinados à criação desse tipo artístico, relaciona-se com a ideia de Hannah. Tal contexto naturalizado é grave, justamente porque ocasiona a banalização de uma sociedade inercial frente ao processo de valorização da arte nas cidades. Ocorre que isso ainda existe por não ter o contato frequente com medidas que estimulem a quebra do preconceito sobre as diversidade artísticas, o qual valoriza apenas as artes de museus.

Urge, por conseguinte, a atuação das escolas para promoverem projetos socioeducativos, por intermédio de palestras e debates em horários de aula, os quais seriam promovidos por profissionais especializados na área artística. Ademais, seriam enfatizados o ensino sobre a diversidade artística e a importância da arte urbana, não só como estética das cidades, mas também como crítica social a diversos problemas existentes. Destarte, essa ação iria romper com o preconceito hodierno e, consequentemente, ter a valorização da arte nas cidades.