Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 20/06/2021

“A essência dos Direitos Humanos é o direito a ter direitos”. Essa frase, da filósofa Hannah Arendt, aponta para a importância de os direitos serem mantidos na sociedade. No entanto, o direito a exercer a arte e sua valorização perante a sociedade tem sido um empasse, pois o público ainda não entende o valor da arte urbana. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar essa situação, que possui como causas: a falta de debates no ambiente escolar, também a lenta mudança na mentalidade das pessoas no que tange a arte.

Em primeira análise, a falta de debates nas escolas  mostra-se como um dos desafios à resolução do problema. Conforme Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que se as pessoas crescem inseridas em um contexto social intolerante, discriminatório, a tendência é adotar esse comportamento também. Assim, intervenções estatais devem acontecer para a valorização da arte urbana em todos os setores da sociedade, tendo como base para mudança coletiva, a educação escolar.

Além disso, cabe ressaltar que a mudança na forma de pensar o que é arte urbana é um forte desafio para a resolutiva da problemática. De acordo com a Agência Brasil, site de notícias e estatísticas, 58% da população brasileira consideram o grafite e a arte urbana uma forma de criminalidade. Sob esse viés, o direito a ter direito, falado pela filósofa Hannah, fica impedido, pois a sociedade criminaliza as a prática das pinturas artísticas. Assim, trabalhar na reestruturação do conceito de arte na sociedade contribuirá grandemente para o avanço da valorização artística urbanizada no país.

Portanto, é preciso que o Estado tome providências para a resolução do quadro atual. Logo, o Ministério da Cidadania, em parceria com os Municípios, devem promover palestras, como roda de conversa, com assuntos sobre arte urbana, explicando sua importância e contribuição na sociedade; essas conversas devem ser realizadas por profissionais grafiteiros, tanto locais quanto grandes nomes no cenário nacional, para que o público possa entender o conceito artístico e passar a valorizar a arte urbana. Consoante a isso, o mesmo Ministério deve alocar investimentos às prefeituras para realização de oficinas de grafite aplicada a arte urbana, para todo o público interessado, realizado nas escolas municipais, com teoria e práticas, ensinada por profissionais, com a finalidade de surgir novos pintores nas localidades, ajudando também na ascensão da arte urbana no conceito regional e nacional.