Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 21/06/2021

A canção do grupo titãs que diz: ‘’… a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte." retrata uma realidade comum no Brasil, os desafios para a valorização da arte no Brasil, mais especificamente da arte urbana. Nesse contexto, o processo de desmonte do Ministério da Cultura na atual gestão e a ingerência nos parcos recursos que ainda existem parecem ser um dos fatores fundamentais. Além disso, destaca-se a hiper-valorização da cultural eurocêntrica e, por consequência, o descrédito à arte nacional. Dessa forma, é de fundamental importância o debate dessas questões para que haja por parte da população um maior engajamento na esfera cultura nacional.

A Constituição Federal de 1988 estabelece que é dever do Estado a manutenção de mecanismos comuns de desenvolvimento. Nesse contexto, a cultura tem papel de destaque na formação de qualquer sociedade, o Estado brasileiro, apesar de apresentar mecanismos legais que versem sobre a difusão e o acesso às artes, na prática pouco faz para que a realidade legal seja também material. Segundo dados do próprio Ministério da Cultura, o investimento nas expressões artísticas sofreu um corte de aproxidamente 20% do ano de 2018 para 2019, as artes urbanas, por sua vez, sofreram um choque maior, cerca de 40% dos seus recursos contingenciados. A atual gestão desprestigia as expressões artísticas, sejam elas quais forem, a lei rouanet criada para fomentar a cultura no país, passa por um processo de descrédito.

Em um contexto histórico mais amplo, a formação cultural do Brasil galgou-se na hiper-valorização de um ideário Eurocêntrico. A transição da capital do império para o Rio de Janeiro, por exemplo, fez com que a arte urbana, a arquitetura e as expressões artísticas como um todo estivessem pautadas numa cópia tropical da cidade de París na França. Essa “síndrome vira-lata” parece persistir no período contemporâneo. Obras de arte urbanas em cidades como Nova York e até outras cidades da América Latina, são idealizadas como padrões estéticos a serem copiados. No entanto, artistas de origem nacional, que expressam sua arte nas cidades brasileiras, são desprestigiados e vistos com um olhar preconceituoso e criminilizador pelo próprio Estado.

Dessa forma, cabe ao Estado por meio do Ministério da Cultura o fomento de um ideário cultural que prestigie a arte nacional, principalmente a arte urbana que passa por um processo de desmonte. Nesse contexto, é crucial o investimento financeiro, cronstrução de escolas de artes públicas e capacitação de profissionais que já exercem essa atividade. Além disso, por meio das secretarias de cultura locais e dos núcleos de desenvolvimento artísticos regionais, alocar recursos para a reconstrução de obras de artes urbanas, valorização de museus e criação de novas zonas culturais.