Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 26/06/2021
A Constituição Federal de 1988 - norma de maior hierarquia no sistema jurídico brasileiro - assegura a liberdade de expressão a todos os cidadãos. Entretanto, na prática, tal garantia não é plenamente efetivada no corpo social, uma vez que, no Brasil, encontra-se desafios para a valorização da arte urbana. Esse lamentável cenário ocorre não só em razão do preconceito perante esta, mas também devido à falta de dicussão sobre o assunto. Assim, faz-se necessária imperiosa análise dessa conjuntura para a consolidação dos direitos constitucionais.
A princípio, cabe pontuar que a sociedade contribui para desvalorização da arte urbana no Brasil. Tendo em vista que, artes de rua, como, por exemplo, a pichação e o grafite são massivamente estigmatizadas pela comunidade brasileira, que consideram estas inferiores em relação as demais manifestações artísticas, e sendo, muitas das vezes, entendidas como uma forma de vandalismo. Nesse contexto, a Semana de Arte Moderna de 1922 se ralaciona fortemente com a situação dos grafiteiros e pichadores brasileiros presentes na população contemporânea, visto que as rejeições e as fortes críticas enfrentadas pelos artistas modernistas, que saíram dos parâmetros artísticos estabelecidos na época, também eram impedidos de se expressar por meio da arte. Dessa maneira, urge descontruir tais preconceitos existentes na nação.
Por outro lado, mostra-se imperativo ressaltar que a educação tem sido agente para falta de valorização deste tipo de arte. Isso porque, em decorrência do deficitário sistema educacional, a arte urbana, a qual aborda diversos temas importantes - política, religião, desigualdade social - não é muita discutida nas intituições de ensino, o que, por sua vez, pode afetar o desenvolvimento do senso criterioso dos jovens, fazendo esses não apreciarem tal expressão artística. Desse modo, é pertinente trazer a citação de Nelson Mandela, que menciona: “A educação é arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo.”, posto que as escolas, formadoras de opinião, são esseciais para o apreço frente a arte urbana. Logo, mostra-se substancial a mudança desse quadro.
Portanto, fica claro que medidas para reversão desta problemática supracitada são necessárias. Dessa forma, concerne ao Ministério da Educação, ramo do Estado responsável pela formação civil, aprimorar o estudo acerca da urbanografia, que sobretudo deve valorizar essa arte, em função de sua importância, por meio de palestras e debates com especialistas no assunto, a fim de possibilitar uma apreciação das manifestações artísticas desenvolvidas no espaço público. Feito isso, será possível a construção de uma população que desfrute dos elementos elencados na Magna Carta.