Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 05/07/2021

Durante a ditadura militar no Brasil, que ocorreu de 1964 a 1985, a censura foi implantada com rigorosidade, com o objetivo de impedir que veículos de informações e expressões - tais como os jornais, as mídias e até alguns tipos de arte - não desestabilizassem o poder. Com essa censura, prevaleceram as formas de expressões artísticas mais convencionais - as quais também foram muito controladas - fazendo com que, com o tempo, fossem criados estigmas acerca das artes mais populares, tais como a arte urbana.

Uma das características mais importantes da arte urbana é sua capacidade de fazer crítica às condições socioeconômicas e políticas, como forma de manifesto contra as desigualddes e os preconceitos. Suas diversas formas de expressão são manifestos em defesa de paltas, muitas das vezes, contrárias àquelas defendidas pelos governos ou por segmentos mais conservadores da sociedade. São predominantemente representadas por pessoas oriundas de classes sociais mais baixas e que, infelizmente, têm menos voz ativa na sociedade. Desta forma, por serem maioritariamente criadas por pessoas mais simples que encontram nas ruas formas de se expressarem, as artes urbanas ainda sofrem grande estigma e pouca valorização.

Alguns poucos artistas de rua conseguiram, até o momento, tornarem-se famosos por sua arte e forma de manifestação. No Brasil, por exemplo, o artista Kobra tornou-se reconhecido internacionalmente, por suas artes de grafite de rua. No entanto, na maioria das vezes, o grafite está associado à pichação e ao vandalismo, refletindo preconceito e desconhecimento artístico, de grande parte da sociedade, sobre esse tipo de arte.

Por esse estilo artístico ser mais comumente desenvolvido por pessoas de baixa renda, sua capacidade de expansão, sustentação e engajamento ainda é relativamente baixa. Há alguns anos atrás, quando a economia brasileira estava mais próspera, os recursos para cultura puderam valorizar e promover muitas formas de expressão de arte urbana. Um ótimo exemplo foram os Festivais Internacionais de Teatro, cujo público lotava praças e ruas, acompanhando cortejos artísticos de belíssima expressão. A crise econômica reduziu, novamente, esse tipo de arte.

Em suma, é notório que há uma dificuldade da população em valorizar a arte urbana no Brasil, assim é necessário que haja uma proposta intervencionista para contornar a situação. Assim, as secretarias municipais e estaduais de cultura devem se unir para disponibilizar, através de editais e leis de insentivo, pequenos projetos capazes de permitir que os artistas de rua retomem suas atividades, melhorem seu sustento e valorizando sua arte.