Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 28/06/2021
Define-se arte, segundo o dicionário Aurélio, como “A produção consciente de obras voltadas para a expressão da subjetividade humana”. Apesar do vasto significado deste substantivo, a valorização deste se restringe às manifestações de um seleto grupo com alto poder aquisitivo, e aqueles que não pertencem a este “universo” , mas querem se expressar artisticamente, são descreditados e marginalizados. Tal desvalorização pode ser exemplificada pelos constantes desafios em dar visibilidade à arte urbana que pertence, legitimamente, a cultura brasileira.
A princípio, vale destacar que o trecho da música: “O morro foi feito de samba, de samba pra gente sambar” de autoria da cantora Alcione, associado a um contexto do início do século XX em que diversos tipos de arte eram desconsiderados devido a sua origem, exprimem uma realidade elitista que apesar de presente na sociedade antiga, persiste atrelada à atualidade. Tal caráter erudito sempre foi associado à arte, uma vez que a torpe compreensão das demonstrações artísticas se limitarem às academias e à aristocracia contribuiu para a “intelectualização” de uma prática cujo real objetivo está relacionado à expressão das emoções, ideias e percepções.
Cabe mencionar, em segundo plano, que a marginalização histórica sofrida pelos artistas urbanos, os quais sempre foram classificados como vândalos e depreciadores, é proveniente da falta de conhecimento e informação que não permitem a distinção entre pichações e artes como o grafite, já que este último, apesar de institucionalizado desde 2011 e assegurado pela legislação, ainda é descriminado e não valorizado artisticamente. Desta forma, o fato destas exposições não acontecerem em museus ou galerias, automaticamente, classifica-as como criminosas e baderneiras.
Dado o exposto, evidencia-se a necessidade de políticas públicas serem criadas em prol da valorização da arte de rua no Brasil. Portanto, cabe ao Governo Federal, em parceria com o Ministério da Cidadania, promover, por meio de reajustes na verba que seria implementada em áreas não tão necessitadas, o investimento em centro culturais nas regiões periféricas, com o intuito de garantir que projetos culturais populares possam ser colocados em prática. Além do mais, compete às escolas, juntamente com a Secretaria de Cultura dos municípios promoverem excursões escolares que proporcionem aos alunos visitarem murais de grafite e a tomarem conhecimento sobre os diferentes tipos de arte que existem. Deste modo, com o propósito de garantir que, gradativamente, o “mito da intelectualização da arte” seja desmistificado e que a expressão artística urbana seja valorizada.