Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 01/07/2021
Em 1964, o Brasil passou por uma ditadura militar. Dessa forma, em resposta à censura e tortura que a oposição sofria na época, as primeiras representações artísticas no meio urbano fizeram parte da vida dos brasileiros, como forma de protesto as práticas do governo. Entretanto, essa forma de arte se manteve até os tempos modernos, sendo marcante por seu tom popular e crítico, tornando-se comum em grande parte da área urbana das cidades. Contudo, essa forma de exposição não recebe a valorização que merece, devido a regulamentação precária dessa manifestação artística e o preconceito que ela sofre.
A princípio, é imperioso destacar que, as diretrizes de fiscalização desse meio além de serem falhas em algumas ocasiões, são muito burocráticas. Acerca dessa lógica, a legislação brasileira afirma que o grafite, por exemplo, não é crime se tiver a permissão do proprietário. Por outro lado, há uma grande dificuldade quando se trata de uma área pública, na qual além de possuir uma grande burocracia, limita e dificulta o trabalho dos artistas de rua. Logo, desincentivando o serviço legalizado e promovendo a diminuição da produção artística, o que a desvaloriza .
Ademais, arte de rua é majoritariamente a forma do povo se expressar e também de consumir arte, mas por ser algo normalmente feito pela população pobre e de periferia, atrai falas e ações preconceituosas. Sob tal ótica,ocorrem casos como a ação denominada maré cinza, feita em 2017 pelo prefeito de São Paulo, João Dória, que consistia em pintar de cinza as pichações e grafites da cidade. Dessa maneira, promovendo a imagem criminalizada da expressão artística e contribuindo para manter e perpetuar os preconceitos com a arte.
Desse modo, cabe ao estado tomar atitudes para acabar com a problemática vigente. Com isso, o Governo Federal em parceria com o Ministério da Educação deve implementar a temática nas aulas de arte, por meio de oficinas conduzidas por grafiteiros em conjunto com o professor. Além disso, será incentivado a produção dessa arte pelos alunos, de forma correta e dentro da lei. Dessa forma, a nova geração terá conhecimento do valor e seriedade do grafite, acabando com o preconceito com essa forma de se expressar. Por fim, o Estado deve facilitar a forma de conduzir a arte na área pública, para facilitar e influenciar a produção artística. Outrossim, os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil vão ser quase nulos.