Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 02/07/2021

Em meados do século passado, o escritor austríaco Stephen Zweig emigrou para o Brasil devido à perseguição dos nazistas europeus. Zweig foi bem recebido e impressionado com o potencial de sua nova casa e escreveu um livro cujo título ainda hoje se repete: “O Brasil, o país do futuro”. No entanto, ao olhar para os desafios do país na avaliação da arte urbana, as previsões claramente não falharam devido ao isolamento social e preconceito social.

Em uma primeira análise, fica claro que o patrimônio ideológico da produção artística, como recurso destinado à elite, é preservado no coletivo e perpetua a desvalorização da arte de rua. Nessa perspectiva, segundo o filósofo francês Michel Foucault, o poder se expressa em uma linguagem que cria mecanismos de controle e coação, aumentando assim a subordinação. Nessa perspectiva, parece que o discurso hegemônico introduzido tem moldado o comportamento dos cidadãos, fazendo-os desprezar e ignorar essa forma de expressão, que é feita principalmente pelas classes populares, como a arte. Portanto, com o conceito estabelecido de arte como meio de expressão artística da classe alta, a arte adquiriu características de elitismo, o que ajuda a excluir outras populações.

Além disso, é evidente a discriminação contra o graffiti de rua na sociedade, marcas consideradas vandalismo, gerando preconceito na comunidade. O filósofo francês Vltari acredita que o preconceito é uma opinião sem conhecimento, por isso a falta de educação cultural nas escolas permite que as pessoas reflitam e valorizem o comportamento e a forma de expressão cultural na sociedade. Portanto, sem a ajuda da educação, a distinção entre arte institucionalizada e arte urbana continuará a produzir preceitos que marginalizam essas formas de expressão.

Portanto, a relevância de resolver o conflito pode ser inferida. Por isso, é necessário que o Ministério da Educação implemente a educação cultural nas escolas por meio de palestras gratuitas de professores de artes e artistas de diferentes estilos, de forma a corrigir a intolerância e o desconhecimento. Além disso, o Ministério da Cultura deve usar a arte para encontrar artistas que precisam de investimento em concursos, e garantir o apoio do Ministério para que os vencedores divulguem a arte urbana pela cidade. Desta forma, a previsão do filósofo Stefan Zweig está mais perto de se cumprir.