Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 02/07/2021

Desenhos e pinturas são formas de expressão e registro utilizadas pelo homem desde as sociedades primitivas, na qual, por meio de pinturas rupestres registravam seu cotidiano. Entretanto, na atual sociedade brasileira, a arte urbana, essa, fortemente ligada ao senso crítico popular, não é valorizado adequadamente e enfrenta inúmeros desafios para ter o seu reconhecimento. Nesse cenário, a concepção equivocada de que a arte urbana é sinônimo de vandalismo por estar presente no meio, além do preconceito quanto ao seu surgimento e prática, são motivadores dessa hostilidade.

A princípio, a visão preconceituosa de que o movimento de arte urbana se resume à depredação do espaço público, contribui para sua não aceitação. Jean-Michel Basquiat, ícone dos anos 80, se tornou referência na arte contemporânea. Jean trabalhava a relação da arte com o meio, usando do grafite de pequenos poemas e ilustrações. Começou seus trabalhos nos muros e monumentos de Nova York assim, diversas vezes foi fortemente criticado, tal como hostilizado, e apenas anos depois, com sua contratação por uma valorosa galeria de arte, foi reconhecido. Análogo a isso, a arte é diversa, entretanto tem-se uma ideia enraizada, de que apenas o exposto em galerias, museus e ambientes similares, é relevante.

Outrossim, o estigma quanto sua origem, e com quem contempla esse movimento na atualidade, compõe parte da mazela. A urbanografia, teve origem em Nova York, na década de 70, com o intuito de, por intermédio do grafite, fazer a marcação de território em brigas de gangues. Logo, retomando sua origem, o preconceito fez com que a sociedade não conseguisse diferenciar grafite de pichação, criminalizando a manifestação artística em lugares públicos. Correlativo a esse cenário, sua criminalização e repressão fortalecem o sentimento de revolta daqueles que a praticam e enraizam cada vez mais a aversão da sociedade para com o movimento artístico em sua totalidade.

Por fim, tencionando cessar a visão errônea de que a arte urbana é assolação do espaço e de que sua origem e atual praticantes se resumem é vândalos, cabe ao Ministério da Educação, como primeiro espaço de socialização, assim como o órgão responsável por toda instituição de ensino no território brasileiro, promover mostras culturais de arte urbana, com artistas que contem suas histórias em escolas e conscientização das comunidades por meio de práticas educativas.. Essa ação será feita por termo de maior investimento de parte dos impostos pagos para educação, assim permitindo a construção de uma nação mais educada quanto a visão que se tem diante das artes que interagem com o ambiente urbano.