Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 07/07/2021
O sociólogo Herbert José propôs que “um país não muda pela sua economia, sua política e nem mesmo a sua ciência, muda sim pela sua cultura”. A partir dessa formulação, é inegável a primordialidade da arte para a sociedade e a sua existência intrínseca à formação dos indivíduos. No entanto, o Brasil enfrenta inúmeros empecilhos referentes às produções artísticas, sobretudo no que tange à valorização da arte urbana. Nesse sentido, tanto a efemeridade das relações culturais, quanto a segregação sociocultural, têm corroborado para a permanência da desvalorização da arte urbana.
Mormente, cabe ressaltar a efemeridade das relações culturais. Sob esse viés, em consonância com o sociólogo Zygmunt Bauman, ao passo que tudo é mais fácil na vida virtual, a arte das relações sociais e da amizade são perdidas. Nesse contexto, a relação consumidor-artista, caracterizada pela fluidez nas relações e efemeridade e influenciada pelo ambiente digital, desafia a produção artística na elaboração de experiências longas e duradouras. Acerca dessa lógica, as pessoas não são atraídas pelas representações artísticas urbanas, presentes em grande parte de seu cotidiano: afinal, a busca por uma experiência única e duradoura está longe da realidade acelerada dos centros urbanos. Desse modo, a efemeridade é um antagonista da valorização da arte urbana no Brasil.
Ademais, é imprescindível mencionar a segregação sociocultural. Sob essa óptica, “a cultura está acima da diferença da condição social”, de acordo com o filósofo e pensador chinês Confúcio. Não obstante, a segregação social, concomitante à conjuntura nacional, contribui para que a população pobre e marginalizada seja colocada à margem das produções artísticas citadinas. Com efeito, a partir de um cenário segregacionista, há a negação às manifestações artísticas urbanas e a sua consequente desvalorização, haja vista que as barreiras sociais impedem o desenvolvimento do prestígio da arte urbana e a apreciação de seus diversos elementos. Logo, as tratativas relacionadas à inclusão social de tal comunidade marginalizada ficam periféricas no contexto social vigente e impedem a valorização da arte urbana.
Destarte, é imperioso que medidas sejam tomadas a fim de sanar a efemeridade das relações culturais e a segregação sociocultural na preponderância da desvalorização da arte urbana. Assim, urge que as escolas eduquem e formem conceitos a respeito das relações culturais, que desenvolvam nos alunos conceitos voltados à valorização da arte urbana, por meio da discussão em sala de aula dos novos modos de fazeres artísticos, com o fito de diminuir os efeitos do imediatismo e fomentar um grande alcance de pessoas. Consecutivamente, ter-se-á a democratização da arte urbana, bem como a sua valorização.