Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 07/07/2021
A arte urbana no Brasil encontra muitos desafios tangentes à sua valorização, tópico que urge debate. Nesse sentido, de acordo com a Constituição Federal de 1988 é dever do Estado garantir o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes de cultura nacional. Entretanto, nota-se que a Carta Magna brasileira, quando analisada no meio artístico urbano, é negligenciada, pois os artistas e suas produções não recebem o apoio e valor adequados, o que dificulta a permanência e as carreiras em tal meio que é importante para a identidade do país. Desse modo, é necessário analisar as causas da problemática: o preconceito presente na sociedade e a negligência governamental.
Sob esse viés, é fundamental discutir a visão preconceituosa acerca da arte urbana periférica. Isto posto, Juscelino Kubistchek estimulou durante seu mandato o desenvolvimento de um estilo musical que representasse a burguesia, chamado “Bossa Nova”. Sendo assim, por meio de tal gênero barreiras sociais foram reforçadas por meio da música, uma vez que houve uma separação entre as produções destinadas às classes. De maneira análoga, a arte urbana também é marcada por tal distinção, pois obras produzidas por pertencentes às camadas sociais pobres não são apreciadas pelas com maior poder aquisitivo. Nesse aspecto, tal aversão está relacionada a concepção de que as produções suburbanas são de má qualidade, em razão da verba investida e do local de elaboração. Logo, a arte urbana não é valorizada de forma homogênea pelo corpo social.
Outrossim, é válido discorrer sobre a falta de apoio governamental para com os artistas. Acerca dessa lógica, a existência da Lei Rouanet, destinada ao incentivo a cultura, contribui para a ocorrência de projetos artísticos. Por outro lado, a legislação não garante que os artistas tenham a valorização e o apoio necessário para que tenham ânimo para produzir e inovar. Em verdade, a negligência do governo no que diz respeito a investimentos na área e ao amparo aos produtores de arte urbana desencorajam os artistas que não possuem grande visibilade no núcleo urbano, visto que as cidades são elitistas e eles não possuem a verba e o apoio necessário para conquistarem seu espaço no círculo artístico.
Nessa conjuntura, conclui-se que os prejulgamentos e o governo são responsáveis pelo desafio da valorização da arte urbana. Em suma, é necessário que o Ministério da Educação promova palestras educativas, posto que a escola é fonte de conhecimento dos jovens, sobre a origem dos gêneros musicais e sua importância, por meio da alteração da base curricular do ensino fundamental. Em segundo plano, é papel do Ministério da Fazenda disponibilizar verba para a ampliação de projetos de apoio, por meio do desenvolvimento de espaços e disponibilização de produtos que poderão ser usados em obras. Logo, com tais atos, o preconceito e a negligência serão sanados e a arte será apoiada.