Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 07/07/2021

Arte urbana, longe do vandalismo.

Desde o Período Neolítico, os seres humanos já utilizavam de artes em paredes, as chamadas pinturas rupestres, como meio de simbolizar sentimentos, ou seus atos no dia-a-dia. Esse costume ainda permanece na sociedade até os dias de hoje, afinal, as artes urbanas trazem as cidades mais cor e vida. Entretanto, existem alguns desafios para a aceitação desse tipo de arte no Brasil, primeiramente pela concepção equivocada de que a arte urbana é pichação e vandalismo, e a hostilidade que a sociedade demonstra com aqueles que a praticam.

Primeiramente, tendo em vista a errônea concepção em relacionar a arte urbana a atos criminosos, é válido lembrar do exemplo de Jean-Michel Basquiat, artista dos anos 80, que se tornou referência na arte contemporânea. Jean trabalhava a relação da arte com o meio, usando do grafite de pequenos poemas e ilustrações, intensamente expressivos. Ele começou seus trabalhos no meio urbano e diversas vezes foi fortemente criticado. Esse caso esclarece que arte urbana é diversa e interage com o espaço e com o meio social, entretanto tem-se uma ideia enraizada na sociedade, de que toda arte que está em espaços públicos é vandalismo e um ato sem sentido.

Diante da grande hostilidade que a sociedade pratica com os artistas, pode-se mencionar as origens problemáticas do grafite, uma das artes urbanas mais comuns. A história do grafite teve início em Nova Iorque e ele era praticado com a finalidade de marcação de território e provocações entre gangues locais. Após algumas décadas, deixou de carregar tal simbologia e passou a ser utilizado para enfeitar muros e prédios com pinturas que carregam temas ou tabus sociais e política, mas também cheios de beleza e cores. Porém, devido a sua origem vinda de organizações criminosas, vertentes da arte urbana carregam até os dias atuais o estigma do vandalismo e da marginalização.

Diante disso, a concepção equivocada em relação às artes urbanas, e a dificuldade que os artistas enfrentam por serem considerados depredadores do ambiente urbano, se mostra desapropriada e incoerente. Logo, cabe ao Ministério da Educação, como órgão responsável por toda instituição de ensino no território brasileiro, promover mostras culturais e palestras sobre a beleza da arte urbana, em ambientes escolares, por meio de investimento da renda paga pelos brasileiros por uma melhor educação, a fim de normalizar e educar as crianças na disciplina de artes.