Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 07/07/2021

Em 2020, Belo Horizonte realizou uma quinta edição do círculo de arte urbana, CURA, projeto criado para defender a resistência através da arte e cuidado com as pessoas, afetos e natureza, trazendo artistas de diversas regiões e por isso com possibilidades estéticas diversas, sendo o único mirante de arte urbana do mundo. O CURA veio para dar voz à arte urbana, que muda o ambiente ao seu redor e mantém a cidade viva, ao mesmo tempo que inova a arte moderna. Entretanto, quando se observa os desafios para a valorização da arte urbana no país, ainda há muito a mudar, visto que os artistas urbanos são frequentemente desvalorizados e fornecido com o preconceito social.

Em primeira análise, é evidente que a visão do povo em relação às produções artísticas, está enquadrada em um ambiente já pré-fabricado, como galerias e museus. Nessa perspectiva, cabe analisar uma ação judicial movida por um único morador, que visava apagar uma obra do artista Criola, instalada na lateral de um edifício em Belo Horizonte, pois o mesmo é considerado mau gosto. Sob essa ótica, constata-se que o discurso hegemônico, moldou o comportamento do cidadão a desprezar e não considerar tais manifestações, que são feitas em ambientes mais do cotidiano, como arte. Desse modo, com a concepção moldada da arte, como uma manifestação limitada a uma ambiente já, não preferência à sociedade formas diferentes, como a urbanografia, torna-a preconceituosa a tipos desconhecidos.

Além disso, é perceptível na sociedade a discriminação quanto aos grafites feitos nas ruas, ao considerar essas marcas como vandalismo, o que leva a uma comunidade preconceituosa. Segundo o filósofo francês Voltarie, o preconceito é a opinião sem conhecimento. Sendo assim, nota-se a falta de educação cultural nas escolas, para que se possa refletir e valorizar sobre os atos e meios de expressão da cultura na sociedade. Dessa forma, sem a ajuda educacional, as distinções da arte institucionalizada e urbana continuarão trazendo preceitos que levam a marginalização dessas formas de expressões.

Diante disso, é necessário contornar os impasses da desvalorização da arte urbana no país. Para que isso ocorra, o Ministério da Educação deve implementar educação cultural nas escolas por meio de palestras gratuitas em conjunto de professores de Arte e artistas de diferentes estilos, para que a intolerância e a ignorância sejam sanadas. Ademais, o Ministério da Cultura deve utilizar concursos de artes para encontrar artistas que incorporam de investimentos, garantindo o apoio do Ministério para os ganhadores, de modo a difundir a arte urbana pelas cidades. Para que haja implantação de respeito, afetividade e união entre as culturas e cidadãos do Brasil.