Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 07/07/2021

Banksy é um(a) artista de rua reconhecido(a) mundialmente que usa de suas obras para criticar os valores da sociedade, as quais o impacto causado é tão grande ao ponto de alguns admiradores desejarem comprá-las, o que contradiz com os seus princípios. Entretanto, a fama do gênio sem identidade ainda é um desejo inalcançável para muitos talentos, especialmente em função da desvalorização da arte urbana. Dessa forma, no Brasil, o menosprezo por essa forma de expressão é devido à má distribuição do conhecimento artístico e da mentalidade social preconceituosa.

Sob esse prisma, a elitização da cultura é um dos fatores motivadores da problemática. Ao passo disso, a Semana de Arte Moderna de 1922 criticou o caráter eurocentrista das obras vigentes com o objetivo de incentivar a criação de uma identidade brasileira. Contudo, mesmo que haja representação de uma personalidade nacional nas produções, os ideais classistas atuais contradizem os princípios populistas do movimento secular. Dessa maneira, a restrição do conhecimento artístico a uma pequena parcela da população prejudica a popularização do setor no país. Além disso, a retenção da arte às classes mais abastadas causa a desvalorização de estilos que não as agradam, como é o caso do urbano.

Outrossim, o modo de expressão próprio das cidades não é reconhecido como pertencente ao movimento artístico. Em função disso, o dadaísmo foi uma corrente que tinha como principal objetivo questionar o propósito da arte e seu valor cultural. Isto é, criticava os ideais tradicionais ainda cultuados na comunidade, entre eles, os museus como meio de exposição obrigatório para a validação das obras. Todavia, seus questionamentos não possuem efeito na sociedade atual, que segrega obras feitas em vias populares, como muros e fachadas de prédios. Assim, a antipatia do grande público em relação às representações pertencentes ao subgrupo urbano é responsável pela exclusão deste do mundo artístico.

Em suma, faz-se necessário que o Congresso Nacional garanta a efetividade das políticas públicas voltadas à democratização do acesso à arte. Isto será feito por meio da promoção de entradas gratuitas a galerias de arte e museus, uma vez que estes locais detêm grande parte da arte produzida ao longo dos séculos, a fim de tornar o acesso à arte e a cultura mais democrático. Ademais, é preciso que o Ministério da Educação promova aulas de artes obrigatórias para todos os alunos, por meio da alteração da Base Nacional Comum Curricular, documento que define o conjunto de aprendizagens essenciais para a Educação Básica. Dessa maneira, estudantes de todas as classes sociais desenvolverão senso crítico e artístico.