Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 08/07/2021
Em meados do século passado, o escritor austríaco Stefan Zweig mudou-se para o Brasil devido à perseguição nazista na Europa. Bem recebido e impressionado com o potencial de sua nova casa, Zweig escreveu um livro cujo título é até hoje repetido: “Brasil, país do futuro”. Entretanto, quando se observa os desafios para a valorização da arte urbana no país, percebe-se que a profecia não saiu do papel, em virtude da segregação social e da preconceito inserido na sociedade. Em primeira análise, é evidente que a herança ideológica da produção artística, como um recurso destinado às elites, conservou-se na coletividade e perpetuou a desvalorização da arte de rua. Nessa perspectiva, segundo Michel Foucault, filósofo francês, o poder articula-se em uma linguagem que cria mecânismos de controle e coerção, os quais aumentam a subordinação. Sob essa ótica, constata-se que o discurso hegemônico introduzido, moldou o comportamento do cidadão a desprezar e não considerar tais manifestações, que são feitas em maioria por pessoas de classes mais baixas, como arte. Desse modo, com a concepção instituída da arte como meio de expressão artística das camadas altas, a arte adquire caráter elitista, o qual contribui para a exclusão do restante da população. Além disso, é perceptível na sociedade a discriminação quanto aos grafites feitos nas ruas, ao considerar essas marcas como vandalismo, o que leva a uma comunidade preconceituosa. Segundo o filósofo francês Voltarie, o preconceito é a opinião sem conhecimento. Sendo assim, nota-se a falta de educação cultural nas escolas, para que se possa refletir e valorizar sobre os atos e meios de expressão da cultura na sociedade. Dessa forma, sem a ajuda educacional, as distinções da arte institucionalizada e urbana continuarão trazendo preceitos que levam a marginalização dessas formas de expressões. Depreende-se, portanto, a relevância da resolução do impasse. Para que isso ocorra, é necessário que o Ministério da Educação implemente educação cultural nas escolas por meio de palestras gratuitas em conjunto de professores de Arte e artistas de diferentes estilos, para que a intolerância e a ignorância seja sanada. Ademais, o Ministério da Cultura deve utilizar de concursos de artes para encontrar artistas que necessitam de investimentos, garantindo o apoio do Ministério para os ganhadores, de modo a difundir a arte urbana pelas cidades. Feito assim, a predição do filósofo Stefan Zweig estará mais perto de ser concretizada.