Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 09/07/2021

O Beco do Batman, em São Paulo, apesar de ser um tradicional endereço do grafite na cidade, virou um ponto turístico da grande metrópole, mesmo com outra arte urbana ainda ser considerada vandalismo, como é o caso da pichação. No entanto, a valorização da arte urbana no Brasil é de grande importância, tanto para romper com o preconceito contra os artistas e suas obras, como também serve como uma forma de protesto desses.

Em primeira análise, vale ressaltar que assim como o  George Shaw, dramaturgo irlandês, afirmou: “Os espelhos são usados para ver o rosto, a arte para ver a alma”. Fica visível, assim, o desprezo que boa parte da sociedade tem contra a alma dos moradores da periferia, já que sua arte seriava fiel expressão de sua alma, e de acordo com o documentário “Pixo”, de 2009, os pichadores são garotos da periferia. Nesse documentário supracitado, em uma das cenas é mostrado uma pichação no Centro Universitário Belas Artes, em São Paulo, em que um dos alunos chega com spray para fazer  uma pintura em um painel em branco e uma mulher o agride com um buquê de flores, e é assim a triste reação da sociedade contra os diversos pichadores.

Em segundo plano, enquanto uns acreditam que as pichações colaboram para deixar a cidade com um aspecto de suja e poluída, na realidade esses artistas estão apenas lutando para serem ouvidos através de suas pichações, é uma verdadeira manifestação da periferia paulistana, é um protesto de quem recebe tudo que tem de pior. Apesar das leis considerarem um crime ambiental, eles continuam na batalha para não serem silenciados.

Portanto, pode-se inferir que existem grandes desafios para a valorização da arte urbana no Brasil, que precisam ser combatidos. Dessa forma, cabe às escolas começarem a discutir e apresentar essas novas artes e não apenas os artistas já famosos e reconhecidos na arte, por meio de aulas de arte que englobem estudos sobre esses artistas da periferia de São Paulo, para que exista um contato maior com diferentes realidades, além de mostrar os objetivos que os pichadores, grafiteiros e outros artistas urbanos têm ao produzirem suas obras nas ruas das cidades. Pois, só assim, será possível romper com o preconceito da sociedade contra esses artistas.