Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 09/07/2021

No período da Antiguidade Clássica, os gregos acreditavam que a arte era a expressão da simetria, beleza e forma, desconsiderando e desqualificando qualquer outro tipo de produção que não se caracterizasse nessa perspectiva. Não diferentemente desse contexto histórico, infelizmente, ainda existe uma segregação no meio cultural, o que contribui para desvalorização da arte urbana. Nesse sentido, é necessário analisar alguns aspectos desafiantes para resolução de tal problemática: a falta de apoio governamental e o preconceito diante de tal expressão.

Em primeiro plano, é necessário compreender a negligência do governo como um fator de desafio para valorização da arte de rua. No período da Ditadura Militar no Brasil, em 1964, era comum a prática de censura em produções artísticas e culturais que criticassem ou fossem contrárias ao modo de governo daquela época. De maneira similar ao fato histórico evidente, é perceptível o empenho governamental em não promover a valorização da arte de urbana, principalmente por meio da falta de apoio econômico e político, afinal, tais produções apresentam críticas sociais e evidenciam, por meio da arte, mazelas enfrentadas pela população: fome, pobreza e violência urbana. Sendo assim, percebe-se que é de interesse da esfera governista reprimir a arte urbana para enfraquecer esse movimento que possui forte criticidade aos descasos sociais.

Em segundo lugar, é importante analisar o preconceito que a expressão da arte urbana enfrenta na sociedade brasileira. De acordo com o geografo e sociólogo Milton Santos, o processo de globalização que o mundo vivencia, favorece culturas de países ricos e proporciona a falta de aceitação entre diferentes modos de expressão cultural e artística do mundo pobre. Seguindo essa linha de pensamento, fica nítida que a arte urbana - mais presente nos países emergentes- sofre uma segregação cultural por não seguir padrões estéticos da cultura dos países mais desenvolvidos, colaborando para o imaginário social preconceituoso, que determina como superior expressões de artes dominantes no mundo rico.

Infere-se, portanto, que a falta de valorização da arte urbana é um problema no Brasil. Dessa forma, cabe ao Ministério da Educação, investir em programas de desenvolvimento da arte urbana no país, por meio da criação de espaços culturais– principalmente em instituições de ensino público no território nacional- nas quais devem promover palestras e execuções artísticas a fim de fomentar a cultura e a arte urbana nacional. Assim, o Brasil será um país com um governo que valoriza todas as expressões artísticas e diminuirá o preconceito enraizado na sociedade.