Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 09/08/2021

O filme “Monster High: Assombrada” narra a realidade de Spectra e do restante dos alunos da escola de monstros. Na animação, Spectra conhece o artista Porter, que diariamente recebe correntes de pinição por ser grafiteiro, que naquele contexto , é extritamente proibido. De maneira análoga a história ficticía, a questão da valorização da arte urbana, no Brasil, ainda enfrenta problemas no que diz respeito, a marginalização com que tal expressão artística é vista pela sociedade. Assim, é lícito afirmar que a postura do Estado e da sociedade em relação a valorização dos diversos estilos de arte, contribuem para a perpetuação desse cenário nocivo.

Mormente, nota-se, por parte do Governo, a ausência de políticas públicas efetivas capazes de massificar a arte urbana. Essa lógica é comprovada pelo papel passivo que o Ministério da Cultura exerce na administração do país. Instituído para promover a aproximação dos brasileiros com os bens culturais, tal órgão ignora ações que poderiam fomentar e desmarginalizar a produção artística urbana, como por meio de passeios educacionais a cidades com centros estilizados por grafiteiros e outros artistas.  Desse modo, o Estado atua como perpetuador do processo de discriminação da arte de rua. Logo é substancial uma reviravolta neste quadro.

Outrossim, é imperativo pontuar que a conduta da população, colabora para as dificuldades de naturalização e apreciação da arte urbana. Isso decorre, principalmente, do pensamento aristocrático de parte da comunidade brasileira, que tendo em vista as idéias de que arte é apenas aquilo que esta exposto em um museu e de que grafite é uma extensão da pixação, repudiam a produção artistica urbana em detrimento do impacto cultural que a sua ausência causa na sociedade. Nesse sentido, há, de fato, uma postura elitista, advinda das pessoas, que em muitas vezes recriminar os artistas e arte urbana. Consequentemente, as interveções urbanas passa a ser cada vez mais recriminadas.

É necessario, portanto, que medidas sejam tomadas para naturalizar a apreciação da arte urbana. Posto isso, o Estado deve, por meio de amplos debates com o Ministério da Cultura, a Fundação Nacional de Artes (Funarte) e com artistas de rua,  lançar um Plano Nacional de Valorização a Arte Urbana, a fim de fazer com que o maior número de brasileiros possíveis vejam essas produções como uma exibição artistica-cultural ao ar livre. Tal plano, deverá focar, sobretudo, na criação de projetos educaionais de incentivo a arte urbana. Ademais, a sociedade deve, perante ao Governo e os demais brasileiros, incentivar as intervenções urbanas. Dessa maneira, a situação vivênciada por Porter na animação “Monster High: Assombrada” poderá ser vizualizada cada vez menos no Brasil.