Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 16/07/2021

A arte é uma manifestação humana que existe desde a antiguidade, quando os homens emitiam gravuras de animais e da natureza em um geral nas paredes das cavernas em que viviam, sendo intituladas posteriormente por historiadores de arte “rupestre”. Assim sendo, a arte evoluiu à medida que as formas de organização da sociedade evoluíram, passando da idade antiga, período marcado pelas obras greco-romanas, aos dias atuais, onde o “pop art” tomou conta das ruas através do, por exemplo, grafite. Por sua vez, a arte urbana, intervenção artística em forma de, sobretudo, protesto, é alvo de estigmatização, sendo classificado por muitos como uma arte, no mau sentido da palavra, marginal e imoral, o que precisa ser desmistificado.

A princípio, a arte tinha um único papel, que era o de embelezar ambientes, com o objetivo de causar encanto e entusiasmo nos que a viam. Porém, o conceito de “arte pela arte”, jargão parnasiano, se tornou obsoleto, a partir do momento que os artistas se viram no papel de contrariar a expressão burguesa e estereotipada da vida, atribuindo uma função social às criações. Como resultado, esse contra movimento não agradou a classe dominante, uma vez que a elite deixou de protagonizar as obras, tornando possível a construção de um cenário de conotação negativa às artes mais contemporâneas, que o grafite e afins.

Indubitavelmente, é possível dizer que, a arte urbana, que costuma tocar nas feridas da sociedade, e que se propõe a, de propósito, radicalizar questões sociais, atinge seu objetivo ao incomodar a classe responsável pelas opressões retratadas nas criações. Entretanto, o estigma não se limita apenas ao opressor, visto que é corrente encontrar pessoas comuns disseminando atribuições equivocadas a arte mural, já que, infelizmente, as foram ensinadas que arte de viés crítico, não é arte de verdade. Aliás, não é mera coincidência que, nas instituições brasileiras de ensino, o foco de estudo em culturas eruditas, é sempre maior do que em populares, alimentando um plano burguês de alienação de massas.

Nesse espectro, conclui-se que, a arte urbana, sofre de um constante boicote, e que precisa ser imediatamente impedido, já que é fator determinante para que inúmeros indivíduos sejam privados do olhar crítico e interpretativo da realidade. Então, cabe ao Estado, juntamente das instituições privadas, promoverem uma alteração nos materiais didáticos dos alunos, os introduzindo uma visão mais progressista do que é a arte, ao acrescentar-se a matéria obrigatória de história da arte no currículo. Sendo assim, começando pelas bases, é possível formar uma nação mais tolerante e ciente da importância das artes urbanas para a sociedade.