Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 03/08/2021

Observa-se a arte urbana no Brasil funcionando conforme a Lei da Inércia, a qual diz que todo corpo tende a permanecer em movimento até que uma força suficiente atue sobre ele. Nesse sentido, percebe-se a herança cultural de preconceito com novas tendências de arte, em consonância à desdém governamental, como as forças que impedem a valorização da arte urbana no país.

A princípio, pode-se afirmar que o desprestígio com novas artes é legado das gerações passadas. Isso acontece, segundo Pierre Bourdieu, em sua teoria Habitus, uma vez que as estruturas sociais são incorporadas durante o processo de socialização, fazendo com que comportamentos sejam naturalizados e reproduzidos ao longo das gerações. Dessa maneira, de forma semelhante à Semana de Arte Moderna de 1922, em que artistas, como Mario de Andrade, foram desprezados pelo público devido ao estilo inovador de fazer arte, a arte urbana é menosprezada na contemporaneidade. Nesse viés, de acordo com a historiografia brasileira, existem vários Marios de Andrade no Brasil pós-moderno.

Outrossim, vale também considerar o pouco incentivo governamental no que tange a arte urbana. Tal fato vai de encontro à Constituição Federal, a qual garante o suporte e amparo aos indivíduos em toda forma de expressão. Desse modo, embora a arte de rua tenha sido legalizada em 2009, os artistas não têm estímulos para expor seus trabalhos, são marginalizados por expectadores e desassociados à arte. Por conseguinte, ocorridos como os de 2017, em que foi decretado pela Prefeitura de São Paulo a retirada dos grafites dos muros da cidade, comprovam não só o preconceito enraizado históricamente, mas também a negligência governamental sobre essa forma de expressão hodierna.

Destarte, medidas são necessárias para corrigir a questão. Portanto, é mister que o Poder Executivo, em conjunto às Prefeituras, incentive os artistas de rua e, consequentemente, a arte urbana, por meio de um auxílio financeiro, para compra de materiais, por exemplo, além da promoção de feiras artísticas nas associações de bairro que resultem em um maior contato entre os artistas e a população. Sendo, assim, a diligência governamental e a superação de preconceitos as forças capazes de mudar o rumo da trajetória da desvalorização da arte urbana: da existência para a extinção.