Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 22/07/2021

Platão, em “O Mito da Caverna”, afirma, alegoricamente, que a sabedoria é fruto de processos que demandam tempo, esforço e superação. Contudo, o cenário brasileiro não aplica a teoria platônica quanto à questão das barreiras para o apreciamento das performances nos locais urbanizados, uma vez que o descaso da sociedade, no que tange às etapas para destacar a pertinência do projeto, mostra-se frequente. Por isso, cabe a análise acerca da má influência midiática e do imediatismo.

Convém ressaltar, de início, a intrínseca relação entre a articulação publicitária e a dificuldade no destaque do grafite nos bairros centrais. Nessa perspectiva, segundo Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Todavia, a mídia rompe com a lógica do sociólogo, no que corresponde a falta de importância dada as manifestações nas àreas urbanizadas do Brasil, posto que ela não cumpre seu papel e se mostra, muitas vezes, indiferente diante do desequilíbrio existente. Isso se confirma com as poucas exposições de talentos nas zonas centralizadas, o que compromete a preparação adequada da população. Nesse sentido, as intervenções sobre o problema são prejudicadas e, em vista disso, faz-se imprescindível a reformulação dessa circunstância.

Paralelo a esse fato, é válido pontuar que o quadro imediatista influi sobre a questão como um forte empecilho. Nesse viés, conforme Bauman, a liquidez da modernidade pauta-se no imediatismo. Tal observação é notória, de maneira decisiva, no que se refere a ausência de facilidade no enaltecimento das formas de expressão nos espaços urbanos do país, visto que a intensa velocidade, que caracteriza a cultura atual, propricia uma análise superficial aos “não artistas” quanto à  relevância da vanglorização das exposições nas ruas. Logo, torna-se àrduo reverter a situação.

Portanto, providências são necessárias para mitigar o impasse. Para tanto, é dever das Organizações Não Governamentais especializadas em arquitetura promoverem ações que alertem a população referente às condições reais dos desafios para a valorização da arte urbana no Brasil, com intuito de reverter a neutralidade midiática e a mentalidade imediatista. Isso pode ocorrer por meio de palestras, ministradas em escolas e em universidades, a serem webconferenciadas nas redes sociais dessas instituições. Tal iniciativa deve incluir a presença de profissionais de urbanismo, que discutam a questão e comparem o respaldo que a mídia oferece aos seus relatos. É possível, também, criar uma “hashtag” para identificar a campanha e alcançar maior visibilidade. Dessa forma, com o sancionamento das medidas apresentadas, a alegoria platônica poderá ser praticada.