Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 24/07/2021

Segundo a filosofia Tomista, todos os indivíduos de uma sociedade democrática possuem a mesma importância, assim como os mesmos direitos e deveres. Todavia, no que concerne ao infortúnio proeminente da desvalorização da arte urbana no Brasil, constata-se a deturpação da corrente filosófica supramencionada. Desse modo, é imperativo analisar não somente as consequências graves dessa subestimação de um movimento artístico, mas também os fatores que impedem subverter essa realidade maquiavélica no contexto brasileiro.

Precipuamente, convém salientar que, segundo o sociólogo alemão Wilhelm Heitmeyer, indivíduos são subjugados e até mesmo agredidos não por sua conduta individual, e sim pelo pertencimento a um grupo. Nesse viés, percebe-se que a difícil aceitação das exibições urbanas trata-se de uma visão extremamente equivocada de cidadãos que consideram a arte de rua algo extremamente marginal, relacionando, erroneamente, os artistas de rua aos pichadores. Por conseguinte, essa subvisão é repassada a cada geração, mediante a existência de cidadãos destituídos de senso crítico.

Outrossim, é indubitável que a ineficiêcia das instituições de ensino em promover o respeito à arte urbana é um fator-chave na potencialização da problemática. Acerca dessa premissa, nota-se a confirmação do pensamento elaborado por Pierre Bourdieu, segundo o qual trata-se de uma violência simbólica quando a escola desconsidera as formas de expessão das camadas populares da sociedade. A título de ilustração, é mister citar que a falta de conhecimento acerca da arte urbana levou um morador de Belo Horizonte, segundo uma reportagem da Rede Globo Minas,  a  recorrer ao Ministério Público para que uma obra da artista Criola fosse apagada de um prédio na capital mineira por considerar a pintura “de gosto duvidoso”.

Diante dos fatos, é imprescindível que o Ministério da Educação, por meio das escolas de nível fundamental e médio, atue no propósito de valorizar a arte urbana no Brasil. Para tanto devem ser contratados professores especialistas na arte de rua e artistas locais desse movimento para a realização de semanas artísticas que evidenciem a importância de tal arte, estimulando atividades lúdicas que desenvolvam nos cidadãos, desde a tenra idade, o sentimento da empatia e o senso crítico frente ao que chega de informação. Tais medidas objetivam exaurir o subjugamento da arte de rua na sociedade brasileira e, dessa forma, ratificar, de fato, os princípios da filosofia tomista.