Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 27/07/2021

A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), proposta em 1948 pela ONU, prevê a todos os indivíduos o direito à cultura. No contexto brasileiro, todavia, esse legado presente na arte urbana é um desafio, pois ela não é valorizada pelo Poder Público e pela sociedade civil, apesar de ser uma ferramenta fundamental para a compreensão da história de um povo, como também para a coesão social. Desse modo, as diversas manifestações artísticas urbanas exprimem uma realidade, a qual reflete os dilemas culturais e sociais de um grupo.

Em uma primeira análise, observa-se como a música pode ser um instrumento de transformação do meio social. Prova disso é o rap, pois é um estilo musical que possui valores construídos com base na realidade das periferias de muitas cidades brasileiras. Assim, tal arte reverbera na construção identitária dos cidadãos residentes nesses locais, uma vez que essas pessoas se apoiam nas questões éticas da música para se desenvolverem e tomarem consciência de si. Somando-se a isso, ela possui um papel indispensável de promover reflexões críticas acerca da realidade. Tal como são os raps do artista brasileiro Gabriel O Pensador, em razão da arte exposta por ele ter um caráter transformador e crítico da realidade violenta das favelas. Sob esse prisma, então, é notório como a arte urbana é capaz de promover uma reflexão assídua a respeito do meio que o povo está inserido.

Ademais, em uma segunda análise, mais contundente, nota-se que o grafite é uma ferramenta importante para estimular o entendimento das mazelas sociais da sociedade. Exemplo disso são os painéis grafitados do artista brasileiro Paulo Ito, pois são pintados em bairros de elite, com o intuito de expor situações enfrentadas cotidianamente como função de denunciar as fatalidades sociais. Em sua obra mais famosa, um menino negro chora de fome ao sentar-se à mesa e se deparar com uma bola de futebol em seu prato, e não comida. Sob esse prisma, verifica-se a relevância da arte urbana para destacar as divergências sociais.

Percebe-se, portanto, que o direito à cultura seja assegurado conforme a DUDH para efetivar a valorização da arte urbana como instrumento de mudança e crítica social. De início, o Ministério da Cultura deve promover apresentações gratuitas em ambientes públicos, mediante incentivo fiscal da União, com o objetivo de disseminar a música popular brasileira, como o rap do Gabriel, pelo país e estimular o esclarecimento da sociedade frente à música nacional. Paralelo a isso, cabe ao Ministério da Educação, responsável pelas políticas públicas em âmbito nacional, mudar o currículo escolar, por meio de aulas lúdicas de Sociologia, a qual priorize a cultura popular, com a finalidade de auxiliar os jovens a compreenderem os problemas sociais pela arte urbana, a exemplo dos grafites do Paulo.